Ter (ou não) vergonha na cara
Não sei o que é mais estranho: ver uma Selecção com potencial para se afirmar, de vez, como uma das melhores do Mundo a desbaratar pontos se constatar que, mesmo assim, o acesso à fase final do Europeu de 2008 ainda é perfeitamente possível.
Portugal somou somente 2 pontos em duas partidas consecutivas em casa. Diante Polónia e Sérvia, nações que estão longe de serem “papões”, o conjunto luso deixou escapar 4 preciosos pontinhos. E com isto lá foi ao ar a ridícula ideia do seleccionador que, até há pouco tempo, bradava aos céus que bastava ganhar em casa e empatar fora para se estar no Europeu.
Sempre questionei essa teoria bacoca que, na génese, considera normal (e aceitável) que Portugal saia de países com pouca (Finlândia, por exemplo) ou nenhuma (Arménia) qualidade futebolística satisfeito com a conquista de 1 mísero ponto.
Mas, que fosse a noção de perspectiva a única coisa errada na filosofia do homem que comanda a Selecção. Só ele, pelos vistos, ainda não reparou que o problema da equipa é que jogou quase sempre mal durante os últimos dois compromissos. Eu sei que a sorte não esteve do nosso lado; que sofrer golos aos 86 minutos, em lances perfeitamente banais (e irregular, no caso dos sérvios), não acontece todos os dias, mas não deve o treinador assumir o escasso futebol praticado? Portugal, depois de virar a partida com a Polónia, como a partir dos 20 minutos do duelo com a Sérvia, preocupou-se quase que única e exclusivamente em preservar a vantagem mínima, quando se impunha procurar novo golo e, então sim, descansar à sombra de uma vantagem considerável.
Foi do banco, com as substituições aparentemente decididas por antecipação e não tendo em conta o desenrolar dos encontros, que os jogadores receberam a indicação de que se deveriam preocupar mais com a defesa do que com o ataque. A postura, para quem quer ser grande, já é discutível, mas passa a ser ainda mais incompreensível quando, pelos vistos, a equipa não consegue segurar vantagens, em casa, diante equipas acessíveis.
Especialista em driblar situações incómodas, o seleccionador refugia-se na falta de maturidade dos seus jogadores para justificar o injustificável. Pois... Devia estar a falar de Ricardo ou Simão; de Petit ou Fernando Meira; de Cristiano Ronaldo ou Paulo Ferreira; de Nuno Gomes, Deco ou Maniche. E mesmo os menos habituados a alinhar na equipa principal também são muito inexperientes. Se calhar, Bruno Alves, João Moutinho, Quaresma, Meireles ou Bosingwa não são titulares dos seus clubes; não fazem parte das selecções jovens desde tenra idade e nunca disputaram jogos internacionais. Sinceramente... Os sérvios é que utilizaram vários sub-21!
Mas, na enésima demonstração do seu mau feitio, o devoto da Nossa Senhora do Caravaggio ainda tinha que protagonizar uma das situações mais vergonhosas da história da nossa Selecção. E pouco me importa se chegou ou não a tocar no adversário. Aliás, parece-me irrelevante se foram os sérvios que começaram a incendiar os ânimos. O que sei é que cada vez temos uma imagem mais negativa além-fronteiras. Depois, ainda há quem se admire de, nos momentos de decisão, sair-nos sempre a fava.
Portugal ainda não está na América do Sul. Aqui, ao contrário do que afirmou o principal visado deste triste espectáculo, isto não é normal. Por cá, temos vergonha na cara. Ou, pelo menos, quase todos temos. Resta saber se Gilberto Madaíl também tem...
