Teste de Jesus é agora
Depois da derrota em Atenas, num jogo que para muitos era o primeiro grande teste à capacidade do actual Benfica, as águias terão, na segunda-feira, em Paços de Ferreira, uma missão que, a priori, parece ainda mais complicada.
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Sem poder contar com Di María, Aimar e Maxi Pereira (ao serviço das respectivas selecções) e acumulando o desgaste próprio de um jogo a meio da semana (com uma viagem pelo meio), o Benfica precisa de ganhar para, independentemente de manter vantagem pontual sobre FC Porto e Sporting, recuperar do abalo psicológico que a derrota na Grécia provocou. Na equipa e nos adeptos.
Eu sei que toda a comitiva encarnada - de treinador, a dirigentes, passando por jogadores - foi célebre a desvalorizar o desaire, garantindo que o mesmo não provocará sequelas no grupo. No entanto, como sempre, perder nunca é bom e pior é quando fica bem evidente que a escorregadela era perfeitamente evitável. O AEK não é uma equipa de topo. Discute os primeiros lugares na Grécia, é verdade, mas não tem o peso de Olimpiakos ou Panathinaikos, e a nível europeu não passa de um conjunto da segunda (ou terceira) linha.
O Benfica não jogou bem em Atenas. Entrou decidido a mandar no encontro mas, subitamente, com escassos 15-20 minutos, optou por actuar a passo, confiando que, mais tarde ou mais cedo, iria surgir um golo. E ele apareceu mesmo. Só que na baliza errada. Depois, é justo dizê-lo, as águias fizeram o suficiente para não perder mas, dar de avanço, acabou por ter consequências graves. É que a dinâmica de uma equipa não se recupera de um momento para o outro e correr atrás do resultado é sempre uma tarefa árdua. E se Saja fez uma exibição sensacional, convém ter presente que os guarda-redes estão lá exactamente para isso: para defender!
Ganhar na Grécia teria sido um passo de gigante rumo à qualificação para a fase seguinte da Liga Europa, pois tal permitiria que Benfica e Everton passassem, logo à segunda ronda, a ter 6 pontos de vantagem sobre os restantes concorrentes. Assim, longe de viver uma situação irreversível, os portugueses ajudaram a manter aberto um grupo que, em condições normais, podia já estar "semi-cerrado".
Acredito que se o Benfica ganhar em Paços de Ferreira, rapidamente se esquecerá a derrota de Atenas. Porém, caso os encarnados sejam incapazes de somar os 3 pontos, Jesus perceberá que, num clube grande, o clima de euforia só existe quando se ganha. À mínima demonstração de fragilidade... o cenário muda. É verdade que a equipa tem praticado um futebol interessante (muito melhor que no passado recente), que tem marcado golos com enorme facilidade, mas também é justo dizer que, para além do inesperado empate caseiro com o Marítimo, as deslocações a Poltava, Atenas, Guimarães e Leiria não resultaram em exibições/resultados muito conseguidos.
Por outras palavras, depois do 0-1 com o AEK, creio que o jogo de segunda-feira é que será o teste mais importante para Jesus. O treinador está obrigado a acertar o passo à equipa, mesmo tendo de recorrer a alguns elementos da segunda unidade. Resta saber o que o Paços - que já roubou pontos a FC Porto, recorde-se - será capaz de fazer.
PS - Não é só Jesus que está pressionado por estes dias. Paulo Bento, de forma bem mais evidente, sente a contestação jogo após jogo. Desviar as atenções para o desempenho dos árbitros não chega para, em cada partida, anular a discussão mais importante: porque razão este Sporting pratica um futebol paupérrimo que, agora, até provoca assobios aos adeptos mesmo quando a equipa ganha?
PS1 - Mundial de futebol em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016. O Brasil está em grande. Só espero que as autoridades competentes saibam colocar em marcha um plano de segurança eficiente que impossibilite o país de ser notícia, como tantas vezes sucede, pela negativa.
