Todos culpados na "Operação Marquês"
A ideia era fazer-se uma festa "em grande". Majestática. À dimensão do prestígio do Benfica. Afinal era comemorar um bicampeonato, algo que não acontecia há mais de 30 anos. O Benfica queria naturalmente maior protecção em relação aos seus atletas e comitiva, considerando o que havia acontecido na época anterior. Parece claro, agora, que toda a "festa no Marquês" foi montada considerando esse requisito ou exigência. O Benfica fez o que lhe competia.
Quem falhou foi o Ministério da Administração Interna. Quem falhou foi, parcialmente, a PSP. Quem falhou foi, igualmente, a Câmara Municipal de Lisboa. Estas três entidades colocaram o foco na protecção da comitiva do Benfica mas não ponderaram todos os cenários que tinham a ver, genericamente, com a ordem pública e com a segurança das pessoas.
No entanto, o Benfica também deve tirar as suas conclusões na relação estabelecida com as claques. Os clubes de futebol (todos sem excepção) precisam de dar o passo em frente no sentido de não pactuarem com nenhum tipo de marginalidade. Sobretudo quando essa marginalidade se transforma num negócio demasiado perigoso.
O mais importante nestes eventos é a ordem pública e a segurança das pessoas. O objectivo era reunir as condições necessárias para os lisboetas e, particularmente, os adeptos do Benfica fazerem a sua festa no Marquês de Pombal. A operação foi montada "apenas" para um "clima de festa". Se a PSP (Polícia de… Segurança Pública) servisse apenas para ser espectadora da festa e se os seus agentes fossem observados para serem figurantes dessa mesma festa, então mais valia substituí-los por actores ou actrizes de teatro, achados num casting para o efeito.
Percebe-se agora que a "festa dos campeões" foi planeada com grande descontracção e bonomia, apesar das sete reuniões preparatórias. O importante era o palco. O importante era o acesso ao palco. Não está em causa que o foco de máxima preocupação estivesse no staff do Benfica; o que está em causa é que ninguém conseguiu prever um quase "cenário de guerra" que se instalou no Marquês de Pombal e nas suas imediações. Se se considerou que a festa do ano anterior não correu bem, principalmente numa maior limitação de acesso às "estrelas do título", e se o discurso actual do líder camarário é que tudo foi feito no sentido de melhorar a operação do ano anterior, concluímos então que o voluntarismo e a espontaneidade foram mais eficazes e menos problemáticos do que um alegado "profissionalismo" em redor de uma maior e confessada "organização".
Repetiu-se até à exaustão a ideia de que a festa teve uma esmagadora maioria de gente bem comportada. Falou-se de 200.000 pessoas, das quais 100 tiveram um comportamento desviante. Uma percentagem residual conseguiu estragar a festa, colocar em causa o dispositivo policial e a segurança dos cidadãos. Mais uma razão para, muito à portuguesa, não se deixar que o assunto arrefeça até voltar a acontecer algo de semelhante. Os portugueses e os lisboetas estão dispostos a pagar a factura de uma minoria capaz de espalhar o medo e o terror pelas ruas da capital? Fernando Medina diz que os lisboetas não são todos desordeiros. Não foi, contudo, um bando de desordeiros que semeou o caos no centro da cidade?
Passada uma semana há ainda muitas perguntas sem resposta:
1) Se, como diz Medina, as competências neste âmbito são da Polícia, por que razão não foi valorizada a recomendação em relação à forma do palco e aos quiosques de venda de bebidas alcoólicas?
2) Quem deu autorização para que as imagens dos lamentáveis incidentes protagonizados por um subcomissário da PSP, em Guimarães, passassem nos ecrãs gigantes colocados no Marquês?
3) Por que motivo o Ministério da Administração Interna se remeteu a um silêncio ensurdecedor?
4) Quem esteve, maioritariamente, na origem dos distúrbios? Foram bandos marginais, elementos afectos a claques não legalizadas, quem?!
5) Alguém considerou a hipótese de haver "infiltrados" na manifestação, uma vez que – na mesma cidade de Lisboa – tinha acabado de haver um Belenenses-FC Porto e o sentimento de frustração dominava as claques afectas ao maior rival do Benfica? Havia membros afectos a claques do Sporting misturados entre os adeptos encarnados com intenções menos pacíficas? Supostos especialistas na matéria não deveriam ter considerado essas hipóteses?
6) Quanto custou a "festa (?) do Marquês"? Quem pagou?
Na verdade, passada uma semana não se sabe quem esteve na origem dos gravíssimos incidentes, mas não é fácil de perceber que estamos perante um… cocktail explosivo, resultado de um conjunto de situações para as quais não tem havido resposta, a maior das quais tem a ver com a relação estabelecida entre os clubes e as claques; as claques e os polícias, e tudo o que os rodeia. Não ataquem este problema a fundo e um dia a cidade e o país vão chorar.
Jardim das estrelas (4 estrelas) -- Jesus "Superstar"
Anda nas bocas do Mundo
Ganhou um lugar entre os "notáveis" da história do Benfica. Subiu a pulso. Impôs o seu conhecimento, mesmo que o expresse de forma pouco ortodoxa.
Já percebemos que Jesus é um daqueles treinadores que conseguem contornar eventuais défices de estrutura. Pelo saber e pela convicção. No Benfica, a estrutura (entretanto mais madura) adaptou-se a Jesus. Às suas imperfeições mas sobretudo à sua capacidade de fazer e transformar.
Agora todos o querem. Sabem que é capaz de pegar num plantel, com maior ou menor valia, e colocá-lo a render. A jogar um futebol exigente e competitivo.
O Benfica, se o perder, vai sentir a sua falta. A rebeldia, o inconformismo, às vezes até uma certa insolência.
Jesus, "Superstar".
O cacto -- Desistir? Pior que perder
Figo entrou na corrida ao cadeirão da presidência da FIFA, confessadamente, com ambição de ganhar e destronar o dinossauro Blatter. Ao fim de quatro meses de campanha, de contactos e viagens pelo Mundo, a desistência.
Desistir é pior que perder.
Figo deixou-se instrumentalizar por Platini, que não quis enfrentar Blatter, numa luta directa com o velho estratego.
Fica a experiência mas também a certeza de que a UEFA usou Figo, que levou uma ampla corte atrás (FPF e agentes do poder político) e ninguém fica bem na fotografia.
