Totonegócio já!

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Há muitos, muitos anos havia um conjunto de clubes de futebol num país nosso conhecido que devia dinheiro ao Estado, por não pagar impostos. Depois, como eram clubes de futebol, e nesse país o futebol era uma vaca sagrada, os políticos desenharam um modelo de pagamento em suaves prestações. Ou melhor, em prestações nenhumas. Ficou assente que essas dívidas seriam pagas pelos apostadores no Totobola dos anos seguintes. E assim nasceu o Totonegócio. Um excelente nome, aliás: eles fizeram o negócio, nós fomos os totós.

Que outros contribuintes faltosos têm este tratamento de privilégio? Nenhuns. Mas há mais: ficou então acordado que, se as receitas desses jogos sociais não fossem suficientes para cobrir as dívidas, os clubes pagariam a diferença. Anos depois, há um valor a pagar, precisamente porque os jogos sociais não geraram toda a receita necessária. Soube-se ontem qual é o valor: 13 milhões de euros. A fatura seguiu para a Federação e para a Liga, que obviamente fazem tenção de não pagar um chavo e vão mandar o caso secar nos tribunais. Até porque já lá têm outra fatura, de 2004, de 19 milhões de euros, que teve o mesmo destino.

O célebre acordo do Totonegócio é de 1999 e referia-se a dívidas fiscais dos clubes acumuladas até 1996, que ascendiam a 58 milhões de euros. Desses 58 milhões, estão portanto por pagar mais de 15 anos depois da contração das dívidas (15 anos!), quase 32 milhões de euros.

Se os credores da nossa dívida pública tivessem a tolerância que Portugal tem com os seus clubes de futebol, não havia PEC nem medidas de austeridade. E olhe que, ao pé do que têm gasto os clubes de futebol, Portugal é até um país muito poupadinho... Portugal, quando for grande, deveria querer ser um clube de futebol.

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