Tragicomédia à portuguesa
O futebol português continua de vento em popa. Penso, aliás, que nunca esteve tão animado. Alguns dos principais protagonistas resolveram, subitamente, reforçar as suas intervenções públicas e, claro, todos ficámos a ganhar com isso. O único problema é que já ninguém sabe se devemos desatar à gargalhada perante tanta palhaçada ou chorar. Eu, pelo seguro, opto por rir... até às lágrimas.
Vamos fingir que o "Caso Mateus" já está resolvido (ou que nunca existiu); que os dirigentes do Sporting não tiveram a ideia luminosa de querer repetir um jogo porque sofreram um golo ilegal - defendo que se organize um campeonato nesses moldes: por cada erro que interfira no resultado... sai uma repetição. Se introduzirmos isso na próxima temporada, deveremos ter campeão lá para 2127 -; que os árbitros não estão a assinar um arranque de temporada repleto de disparates ou que na Liga tudo funciona dentro da normalidade. Vamos apenas concentrar-nos no recente arrufo entre Luís Filipe Vieira e Valentim Loureiro, bem como nas várias incidências do apito mais célebre do País.
Os dois homens até andavam de boas relações, mas um maldito "dossier" fez com que o líder das águias passasse a ver o Major com outros olhos. O militar (não deixa de ser curioso que, em poucas semanas, Vieira tenha alterado a noção de ética que tinha em relação a dois homens da "guerra") não gostou do que ouviu e reagiu ao seu estilo, avisando o actual e próximo presidente encarnado para não se meter com ele. Sem medo, em directo do Seixal, LFV mostrou-se disponível para o "combate". Bonito!
Perante tanto material interessante (e depois de ter visto Fernando Seara explicar na SIC o que era e como funciona o mítico "Sistema", recebendo a concordância de José Guilherme Aguiar) estava capaz de propor que alguém escrevesse, com urgência, um livro sobre os meandros do futebol português. Talvez assim todos nós conseguissemos perceber melhor o que se passa antes (e depois) da bola rolar nos relvados. No entanto, se Vieira diz que o seu "dossier" tem centenas e centenas de folhas, o melhor é desistir da ideia. Um livro tão pesado, para além de nos baralhar a cabeça, ainda nos fazia mal às costas.
Fazer um filme podia ser a solução, ainda por cima há por aí muitos "artistas" com queda para representar papéis complicados ou improvisar. Mas, pensando melhor, nem uma saga tipo 007 seria suficiente para contar toda a história. Imaginem o quão cansativo seria assistir, na mesma semana, ao "Futebol Português 23" à segunda-feira e ao "Futebol Português 24" à sexta. Íamos todos apanhar uma barrigada de pipocas.
Assim, depois de muito matutar, cheguei à conclusão que precisamos é de uma série televisiva. Temos o "suspense" próprio do "24"; muita gente que cabia nos "Perdidos"; histórias envolvendo relações amorosas ao estilo das "Donas de Casas Desesperadas" ou do "Sexo e a Cidade"; casos bizarros só possíveis nas "Feiticeiras"; muita comédia de fazer corar de inveja "Seinfeld" e, claro, um ror de cenas que podiam ser protagonizadas pelos "Sopranos" ou investigadas pelas polícias do "CSI". Quanto ao género da série... talvez uma comédia trágica ou mesmo uma trágica comédia!
