Opinião

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Três na luta pelo trono

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Anova época já prometia ser animada depois da surpreendente mudança do treinador bicampeão da Luz para Alvalade. Mas no espaço de um mês a nossa Liga ganhou novos pontos de interesse que prometem fazer deste campeonato um dos mais competitivos e emocionantes dos últimos anos. Rui Vitória, Julen Lopetegui e Jorge Jesus partem todos com a legítima ambição de vencer.

Quis o destino que, no arranque oficial da temporada 2015/16, Jorge Jesus se estreasse no comando técnico dos leões defrontando o seu anterior clube em jogo a contar para a Supertaça. Por sua vez, Rui Vitória chega agora ao Benfica, recebendo uma pesada herança do seu antecessor, que será logo o primeiro adversário que irá encontrar. Todo este clima faz com que o duelo entre os dois técnicos, logo no primeiro jogo da época, tenha um simbolismo maior. É que uma vitória dará maior confiança e moral para os jogos que se seguem.

Esta partida da Supertaça, além de nos mostrar a atual capacidade de ambos os conjuntos num "teste a sério", vai dar também algumas luzes do que podem valer Benfica e Sporting enquanto candidatos ao título. Será prematuro dizer que as equipas estão mais fortes ou mais fracas, porque o mercado está aberto e muita coisa ainda pode acontecer na definição dos plantéis. Mas algumas ideias táticas e princípios de jogo já serão visíveis.

Apré-época encarnada incluiu uma digressão pela América do Norte. A decisão teve benefícios financeiros, mas ainda está por se perceber o quão penalizadora foi para a preparação da equipa do Benfica, ainda para mais com a chegada de um novo treinador. O próprio Rui Vitória reconheceu o problema, dado que o calendário e as viagens não ajudaram a dar estabilidade ao início dos trabalhos. Os resultados não foram os melhores, e nesta fase pouco importam, mas a situação não deixa de levantar dúvidas sobre a forma com que se apresentarão as águias no próximo domingo.

Quanto ao Sporting, os primeiros indicadores são positivos. Já se nota o dedo de Jesus na forma de atuar na equipa, com vocação e garra ofensiva, mas os motores do leão ainda estão em afinação e é necessária uma maior interligação entre sectores. A equipa tem feito aquisições criteriosas e nota-se a preocupação de dotar a equipa de um maior número de soluções de qualidade para enfrentar uma época exigente.

No Dragão, o treinador Julen Lopetegui voltará a ter uma equipa apetrechada de excelentes opções. Apesar das saídas de elementos importantes, existe uma linha de continuidade no que respeita à conceção de jogo e maior habituação do plantel à mesma. Neste segundo ano do treinador espanhol, isso pode constituir uma vantagem. O grande desafio está em encontrar uma nova forma de chegar aos golos, depois da saída do "abono de família" Jackson Martínez. O potencial de evolução de Aboubakar e a chegada de Osvaldo, um experiente internacional italiano, dão alguma tranquilidade neste sentido.

Tudo indica que teremos, ao fim de alguns anos, uma luta a três pela conquista da Liga portuguesa. Benfica, FC Porto e Sporting mostram ter argumentos para entrar nesta luta de titãs, munindo-se com artistas da bola que prometem fazer as delícias dos adeptos, sedentos por voltarem a ver a bola a rolar. Um arranque positivo pode ser o embalo necessário para chegar ao fim da corrida na frente. E um dos rivais da Segunda Circular partirá domingo de peito cheio com a conquista de um título. Teremos grandes jogos pela frente.

O CRAQUE

Efeito Casillas

A vinda de um jogador laureado como Iker Casillas para a Liga portuguesa é, por si só, um feito digno de registo. Em primeiro lugar, pela valia desportiva do guarda-redes espanhol que, aos 34 anos, ainda pode dar muito ao FC Porto. Por outro lado, pela enorme visibilidade que traz ao futebol português e o efeito que pode ter (ou está a ter) na vinda de outros talentos internacionais para o nosso país, captação de patrocínios para clubes e internacionalização de direitos televisivos. Casillas traz valor acrescentado ao nosso campeonato.

A JOGADA

Belém em bom português

A equipa treinada por Sá Pinto registou o feito, quase impensável nestes tempos do futebol global, de jogar a terceira pré-eliminatória da Liga Europa com o Gotemburgo apenas com jogadores portugueses nas suas fileiras. Uma raridade e um exemplo inspirador do Belenenses, que mostra que também se pode encontrar qualidade entre os nossos atletas. É uma equipa jovem, à qual junta alguns jogadores experientes como Tonel e Carlos Martins, que tem mostrado personalidade e ambição 100% portuguesa.

A DÚVIDA

Movimentações até ao fim

O mercado de transferências tem sido fértil e as equipas começam a definir a composição final dos seus conjuntos, mas muito dificilmente os plantéis estarão fechados. Nos três grandes ainda se aguardam reforços para retocar posições e há a possibilidade, até 31 de agosto, de surgir alguma oportunidade de última hora. No sentido inverso, podem chegar propostas milionárias. E falta saber se o Sporting entra na fase de grupos da Liga dos Campeões, algo que pode influenciar a sua posição no mercado. Que equipa terá maior trabalho?

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