Trinta anos depois

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Trinta anos depois
Trinta anos depois

A memória e o legado de José Maria Pedroto ainda perdura. Uma figura marcante que o tempo levou cedo demais, geradora de ódios e paixões, que se destacou pela forte personalidade e enorme competência. Aquele que foi um dos melhores treinadores da história do futebol português, além de ter lançado a semente, juntamente com Pinto da Costa, de um FC Porto de sucesso a nível nacional e internacional, foi também uma fonte de inspiração para as gerações seguintes de técnicos nacionais.

A qualidade do treinador português é cada vez mais reconhecida lá fora. Não é por acaso que, na presente edição da Liga dos Campeões, seis das equipas participantes foram comandadas por técnicos nacionais. Há uma marca distintiva que se identifica no elevado conhecimento técnico-tático, na capacidade de liderança, na frontalidade do discurso e o bom relacionamento com os atletas, sem que isso coloque em causa a sua autoridade.

Esta forma de estar no futebol é, na minha opinião, uma herança deixada pelo Mestre José Maria Pedroto, precursor de muitos valores e princípios que hoje são replicados por outros treinadores. Por exemplo, José Mourinho, um dos melhores treinadores do Mundo, parece inspirar-se na sua alma de guerreiro e identificação de inimigos externos, para motivar os jogadores em torno de um objectivo comum: ganhar.
Foi com este espírito de conquista que Pedroto deixou marca no futebol nacional. Deu a conhecer o primeiro "Boavistão", onde foi vice-campeão e venceu duas Taças de Portugal. E repetiu o 2.º lugar com o V. Setúbal, levando a equipa a altos voos nas competições europeias. Como maior proeza, quebrou o jejum de 19 anos que o FC Porto passou sem ser campeão, com a vitória na época 78/79, plantel do qual também fiz parte.

Hoje, o FC Porto é um clube de dimensão internacional, com grandes conquistas e a hegemonia do futebol português, mas foi graças à mudança de mentalidade implementada por Pedroto e Pinto da Costa nos finais da década de 70 e inícios de 80 (à qual o presidente portista deu continuidade nas décadas seguintes) que se deu este salto e se superou o chamado "complexo da Arrábida".
José Maria Pedroto conquistava a estima dos jogadores. Era sempre o primeiro a sair em defesa dos atletas, blindando o plantel. Só uma figura como ele, com grande personalidade e frontalidade, seria capaz de fazer com adeptos do Sporting fossem apoiar o Benfica numa final da Taça da Portugal contra o FC Porto. Sim, isto aconteceu!

Não tinha medo do confronto e, por isso, sabia impor-se perante diretores, jogadores, jornalistas e adeptos. Era um homem desassombrado e corajoso. Não hesitava em dizer o que sentia. "O Norte sempre foi descriminado de modo indesmentível relativamente ao Sul", dizia Pedroto, uma frase que, ainda hoje faz sentido, e que na altura em que a verbalizou teve repercussões claramente maiores.

Pedroto foi responsável por muitas mudanças no nosso futebol e revolucionou formas de pensar. Enquanto "mister", deixou marca. A metodologia de treino era uma das dimensões do jogo à qual dedicava mais tempo. Existirá algum treinador português que atualmente ignore esta vertente do jogo? Enquanto Homem, deixou obra - essencialmente edificada em forma de valores - e memória, que permanece como uma referência para muita gente e, sem dúvida, para mim próprio.

O CRAQUE

Um líder na defesa

Quase que em pezinhos de lã e sem se dar por ele, Martins Indi vai-se impondo como o patrão da defesa do FC Porto. Um impacto imediato deste jogador jovem, que rapidamente se ambientou ao clube e que garantiu tranquilidade ao setor defensivo. É um dos jogadores mais utilizados por Lopetegui, o que diz muito da sua importância. Central inteligente, forte na marcação e na antecipação, é dos seus pés que muitas vezes o jogo portista se começa a construir. Um líder, que se ficar nos dragões por mais alguns anos, rapidamente se tornará um dos capitães da equipa.

A JOGADA

O desafio grego

Depois de uma aventura nas Arábias, Vítor Pereira está de regresso ao futebol europeu, um "habitat" mais adequado às suas competências. Esteve perto da liga inglesa, mas é ao serviço do histórico Olympiacos que terá a oportunidade de brilhar. É um clube de prestígio, eterno campeão grego, mas também um emblema onde a exigência é enorme. Além de ganhar, os adeptos gregos querem sempre boas exibições e muitos golos. Leonardo Jardim e Michel não resistiram a essa pressão, mas os dois anos de Vítor Pereira ao serviço do FC Porto colocam-no mais bem preparado para o desafio. Que tenha sucesso!

A DÚVIDA

A lição de Marco Silva

Sendo apreciador das qualidades de Marco Silva enquanto treinador, pela versatilidade tática, estudo aprofundado dos adversários e rentabilização de ativos, a grande dúvida era se este conseguiria gerir os "egos e superegos" de uma equipa grande. Se esta confusão das últimas semanas em Alvalade valeu para alguma coisa foi para confirmar que Marco Silva é um líder, uma voz de comando e um grande homem. O Sporting é o seu foco. Uma lição para alguns responsáveis do clube. Será que aprenderam de vez?

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