Tudo fácil, Porto
Os cestos ainda não estão lavados mas esta vindima já está no fim. O Porto, o pior Porto, será campeão outra vez. Vítor Pereira ainda não ri, Jorge Jesus já não ri – só Ricardo Sá Pinto, a “revelação do ano”, por enquanto sorri – mas o campeonato ficará no Dragão. É uma pena, porque se jogou muito pouco de azul e branco. Jogou-se o que foi preciso, quando foi preciso. O resto é conversa.
É uma pena o Braga ter falhado no jogo contra o Porto. Não é só pela simpatia que sempre se tem em relação a quem com menos consegue mais. Mas porque o Braga já merece ganhar ao fim destes anos todos de projeto – mais até do que o Boavista mereceu quando então ganhou. E porque a sua equipa jogou este ano como se não houvesse amanhã. Felizmente para os bracarenses, há amanhã. E então poderão vencer. Se o Porto deixar.
O Porto deixou, este ano. Jogou pouco, jogou mal, jogou feio, jogou fraco – mas aproveitou o deslize do Benfica. O deslize não, o espalhanço ao comprido. Como aqui escreveu Octávio Ribeiro, num certo sentido não é o Porto que ganha o campeonato, é o Benfica que o perde. Sem réstia de brilho.
Só uma catástrofe no Futebol Clube do Porto ou uma inspiração paranormal nos seus adversários afastará o campeão em título do bis. Vítor Pereira será o mais vaiado dos campeões, terá uma glória fátua, porque o Porto será o campeão que joga para o 1-0, o da regularidade, o da eficácia, o poucochinho. O bastante. Bastante para calar a bazófia de Jorge Jesus, que assim engolirá uma colherada de óleo de fígado de humildade.
O último a rir é quem ri melhor. Neste momento, não é ainda um jogador nem um treinador quem prepara as maiores risadas, que, do Douro, serão bem audíveis no Tejo. Será um presidente. Será, pois claro, Jorge Nuno Pinto da Costa.
