Um balanço que só dá Porto

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Lemos balanços por todo o lado - e também aqui no Record, naturalmente - sem que exista total concordância sobre quem foi o quê em 2003. Algumas dessas reflexões são particularmente dolorosas, como aquela que Marcelo Rebelo de Sousa fez sobre Ferro Rodrigues no programa de Maria João Avilez, na SIC Notícias, uma verdadeira bomba atómica cujos efeitos vão perdurar.

Só no desporto, e particularmente no futebol, sem dor para alguns, com dor para muitos mais, tudo o que se diga acaba numa carta com um único endereço: a Torre das Antas. Que mais se poderia escrever num ano em que a principal equipa de futebol do FC Porto ganhou "apenas" a SuperLiga, a Taça de Portugal, a Taça UEFA e a Supertaça, passando também à segunda fase da Liga dos Campeões?

E como se isso não bastasse, os portistas inauguraram ainda o Estádio do Dragão, para muitos o melhor dos novos recintos construídos para o Euro - veremos o que conclui o estudo do Record, a 3 de Janeiro. Pinto da Costa fez agora 66 anos. Se comemorar os 76 à frente do seu clube, não sei o que restará para nós, sulistas, alimentarmos o nosso exaurido ego...

Mourinho

A arrogância, a tão proclamada arrogância de José Mourinho desaparecerá não quando a vida deixar de lhe correr bem (já que melhor não será fácil), mas logo que mais uns anitos lhe passem por cima.

É sempre assim na vida dos vencedores: há um período de tempo, nunca muito longo que ninguém colecciona só vitórias, em que se julgam melhores do que os outros - uma vezes sendo-o, outras nem por isso -, período que termina de uma de duas maneiras: com uma fase de desilusão que ajuda a pessoa a reenquadrar-se com os que a rodeiam, ou com um tempo de fruição do sucesso que trará a tranquilidade e outros olhos para o Mundo. Lá chegará Mourinho.

Camacho

Repito o que já aqui escrevi: este Benfica, o Benfica da recuperação e da esperança que está a despertar o gigante adormecido que são os seus quatro, cinco ou seis (é como quiserem, senhores) milhões de adeptos, não existiria se o sr. Vieira não tivesse o golpe de asa de contratar José Antonio Camacho.

A personalidade do treinador espanhol, o seu comportamento "ibérico" e a emotividade com que comanda a equipa do banco aproximam-no muito dos adeptos e metem os jogadores mais "nervosos" na linha. Depois, a sua experiência, a "leitura" quase perfeita dos jogos e a capacidade para recuperar Cristianos e Aguiares fazem o resto. É o homem certo no lugar e no tempo certos.

Fernando Santos

Irritante é, sem dúvida, a forma como se alternam as paixões pelo trabalho do técnico do Sporting: se perde é uma nulidade, se ganha é um génio. Se joga Miguel Garcia, devia pôr antes Mário Sérgio. O Silva está gordo, ou então: por que é que ele não mete o Silva? O João Pinto não pensa na bola, tem outros problemas ou... por que é que ele deixa o rapaz de fora? E o Tonito: serve ou não? E o Pedro Barbosa: tem o rabo pesado ou é o homem que faz a diferença? E o Paulo Bento: está velho ou devia alinhar de início? E o Sá Pinto ainda é a "alma" da equipa? E que fazer de Quiroga? São muitas dúvidas, mas há uma certeza: nesta fase, o Sporting não arranjaria melhor do que o engenheiro.

Manuel José

Lá por sermos veteranos nestas andanças nem sempre temos razão. Em alguns casos, quase nunca. Quando Manuel José chegou ao Belenenses, há um ano atrás, tudo quanto "cheirava" a Marinho Peres foi indo pela borda fora. Assim, foram dispensados jogadores sólidos como Ludemar, Orestes, Eduardo Marques ou Odair - este último depois de uma rocambolesca transferência do Sp. Braga.

Tanta polémica, tanto trabalho para nada. O lateral Neto, que era uma esperança, partiu uma perna e foi depois enviado para as galés. De Mafra, creio. E o mesmo se passou com jovens como Bruno Fernandes ou Rui Duarte, que deram algumas provas quando chamados à titularidade, mas que logo foram impedidos de repetir a graça.

Quando chegou ao Verão, até o competente Nené recebeu guia de marcha. Manuel José refez o plantel à sua maneira e todos os jogadores que hoje estão no Restelo são os que resistiram à purga mais os que foram contratados sob a sua responsabilidade.

E o que temos agora em Belém? Uma mescla de veteranos com jovens talentos, uns velhos de mais para correrem, outros demasiado novos para os duros embates da SuperLiga. No meio de tudo, "Bogi". Que trabalho ingrato o dele!

Sanchez

Apartida de Jaime Pacheco deixou um novo problema aos fãs das panteras: a escolha do seu substituto. Apostaria a sério que o que passou pela cabeça dos sócios boavisteiros, na altura da opção por Sanchez, foi algo parecido: "Mas isto é treinador que se arranje?" Não terão faltado mesmo apelos a S. Valentim, não ao casamenteiro, mas mais propriamente a deus pai: "Ai, se ele cá estivesse se isto algum dia acontecia!"

Aconteceu. E aconteça o que acontecer ao Boavista na segunda volta da SuperLiga, seja quarto ou seja décimo, o líder do Bessa ganhou a aposta que fez num treinador jovem, arguto e trabalhador. E da Bolívia. Chauvin morreria de vergonha. Loureiro não, honra lhe seja.

Perguntas leva-as o vento

1. Quem é o dirigente que fala sempre de arbitragens e que guardou um santo silêncio neste fim-de-semana sem SuperLiga?

2. Quem é o treinador que no princípio do ano não vai pedir reforços para a sua equipa, mas apenas uma cartomante que o ajude a ganhar uns joguinhos?

3. Duas das boas, para terminar o ano em beleza: quem é o jogador de classe mundial que "deu uma volta", quando esteve em Portugal, com a actual e badalada namorada de outro futebolista do "top"?

4. E quem é o jogador que tem a fama de ter posto, antes, o "selo de garantia" nessa badalada namorada de outro futebolista do "top"?

O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...

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