Um bom Porto e não só
Eu sei que o Arsenal jogou no Dragão sem algumas das suas principais pedras; que nunca se preocupou com o resultado e que o jogo, por isso mesmo (e porque ambos os conjuntos já tinham carimbado antecipadamente a passagem para os "oitavos"), não foi uma partida típica da Liga dos Campeões. Mas, objectivamente, o FC Porto jogou bem (recuperando a imagem convincente de outras épocas), exibiu sempre a postura certa e ganhou com toda a justiça, minorando o forte abalo sofrido em Londres. E para a história o que fica é o resultado. O resto... daqui a uns dias já ninguém se lembra.
A equipa portista, que há um mês parecia incapaz de sair do buraco onde, inesperadamente, tinha caído, está agora bastante diferente. De repente, a engrenagem voltou a funcionar, o conjunto recuperou a confiança, a defesa parece mais sólida e o ataque, desta ou daquela forma, vai marcando os golos necessários para os triunfos.
Arrisco dizer que, de momento, o FC Porto gostaria de continuar a jogar sempre duas ou três vezes por semana, tal a forma como, com maior ou menor dificuldade, tem conseguido resolver os últimos obstáculos. Só que, olhando para o calendário, percebemos que a temporada nem a meio chegou (na Liga estamos apenas com um terço realizado). Por outras palavras, faltam ainda muitos, muitos compromissos. E se o potencial portista está à vista de todos, também é verdade que Benfica e Sporting, internamente, já mostraram "andamento" suficiente para sonhar alto. E isto depois de, pelo meio, terem descarrilado umas vezes.
Por outras palavras - e correndo o risco de me enganar -, penso que poderemos vir a ter um dos campeonatos mais equilibrados dos últimos tempos. E pelo meio convém não esquecer uns quantos "outsiders" que, correndo por fora, são bem capazes de, contra as previsões, mandar às malvas a tradicional ditadura dos três grandes. Atente-se, por exemplo, no feito do Leixões que, nos embates com Benfica, FC Porto e Sporting, fez 7 em 9 pontos possíveis, com a "agravante" de ter ganho no Dragão e em Alvalade.
Continuo a defender que a Liga portuguesa, mesmo pontualmente manchada por maus espectáculos (dentro e fora do campo), tem vindo a ganhar emoção nos últimos anos. Nunca os crónicos candidatos ao título sofreram tanto para se desembaraçar dos restantes concorrentes. E nem o recurso a estrelas de outras paragens tem sido suficiente para, de forma óbvia, repôr a normalidade. Aliás, entre os grandes, o talento e os deslizes parecem caminhar numa fronteira muito ténue. Não sei o que pensarão todos os adeptos do desporto-rei, mas confesso que, para mim, é muito difícil apontar um favorito ao título.
