Um golo a Gaspar

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Um golo a Gaspar
Um golo a Gaspar

Esta mania de anunciar medidas de austeridade antes dos jogos de futebol há de ter a sua razão. E, se a tem, há de ser porque o futebol ao menos tira-nos a cabeça de misérias. Assim foi também ontem: depois dos torpedos de Vítor Gaspar nas nossas vidas, vimos a magia de James afundar o porta-aviões do PSG. Belo.

Não é fácil ser português por estes dias. Quem não tem emprego perde subsídios, quem tem emprego perde salários, quem está reformado perde pensões, quem tem esperança vai-a perdendo. O verbo é sempre “perder”. Mas não no futebol. O presidente da Federação, Fernando Gomes, tem razão quando diz que agora o futebol está melhor que o país (mesmo que também haja clubes endividados e falidos). Vamos vendendo jogadores com lucro, ombreamos com os melhores nas competições internacionais e temos alegrias no campo. Como aconteceu ontem, no Porto, contra o milionário PSG. Como não aconteceu na véspera na Luz porque não podia acontecer, aquele Barcelona é provavelmente a melhor equipa de sempre, deu um baile impressionante ao Benfica. Mas esse baile dá também valor a outros portugueses, Mourinho, Ronaldo, Coentrão (e, vá lá, o naturalizado Pepe): é preciso muito para ser campeão contra “aquilo”.

Voltemos à austeridade. Como disse Aimar no fim do jogo do Barcelona, devia haver outra bola em campo, para o Benfica também jogar. Na política de austeridade ontem reforçada também é assim: andamos a ver navios. O IRS aumenta brutalmente, para valores assustadores. O desemprego continuará a aumentar. E a economia continuará sem crescer mais um ano.

Desforra só no desporto. Fica o elogio: apesar de tantas coisas tortas, o futebol ainda dá alegrias direitas. E isso, num país que vai sendo descamisado, vale mais que a TSU.

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