Um justo campeão

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1 A história é recorrente. Repete-se mesmo até à exaustão e cobre quase invariavelmente de ridículo os seus protagonistas. Em Portugal, não se sabe perder e nunca há um campeão justo. Seja ele qual for. Ninguém consegue admitir que o adversário foi mais forte, mais competente ou, no mínimo, teve mais sorte. Cada vez que o vencedor da Liga parece estar encontrado, somos bombardeados com um chorrilho de disparates que só servem para encobrir junto dos adeptos – e às vezes com sucesso, dado o bom aproveitamento da cegueira alheia – o fiasco de projetos iminentemente perdedores. Nesta altura, com o Benfica perto de conquistar o título, temos Lopetegui (talvez à exceção da conferência de imprensa de ontem, em que esteve bem mais comedido) a insultar constantemente a nossa inteligência, mas, num passado não muito longínquo, não faltaram responsáveis de FC Porto, Benfica e Sporting, conforme aquilo que a classificação determinava, a ensaiar um espetáculo que só não é semelhante a uma sessão de "stand up comedy" porque o ator principal surge sentado e à frente de um painel com o nome de uma mão cheia de patrocinadores. As arbitragens constituem sempre o foco de todas as polémicas, desculpabilizando os vencidos e tirando o mérito aos vencedores, mesmo que, por vezes, a vantagem pontual e a teimosia da matemática torne imbecil o mais elaborado argumento. Esta temporada, Benfica e FCPorto foram, sem dúvida, as melhores equipas do campeonato. Resta-lhes ter dignidade na hora da vitória e, principalmente, na da derrota. Quem gosta do futebol como ouro espetáculo e abomina a clubite começa a não ter mais paciência para tantas tentativas de passar atestados de menoridade mental ao comum dos adeptos.

2 Na última quarta-feira, Cristiano Ronaldo perdeu tudo o que lhe restava. E não foi pouco. Além de ficar afastado da final da Liga dos Campeões, o que é só mais uma desilusão a somar a tantas outras nesta fracassada época do Real Madrid, o craque português ficou praticamente sem hipóteses de se perfilar como candidato à Bola de Ouro 2015. Só um milagre no arranque da próxima temporada pode evitar que o fulgurante Lionel Messi arrecade mais uma vez o troféu.

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