Um leão mais confiante

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Um leão mais confiante
Um leão mais confiante

Força mental, inteligência tática e princípios de jogo consolidados. Este Sporting pode ter menos recursos financeiros do que os rivais, nacionais e estrangeiros, mas dentro de campo consegue esbater as diferenças com garra, atitude e competência. O dedo de Marco Silva já se começa a notar com estes leões em crescendo, mas ainda há muito trabalho pela frente. Há cerca de um mês, e depois de um empate embaraçoso com o Maribor, todas as críticas choviam em cima do treinador do Sporting. E após a derrota com o Chelsea em casa, o balanço estava feito: o Sporting completara um ciclo de 7 jogos em que vencera apenas por duas vezes. Até o presidente leonino chegou a referir-se ao facto de só ter tido duas alegrias até àquele momento.

Nas três partidas seguintes, uma goleada em Penafiel, uma vitória histórica (e merecida) no Dragão, afastando o FC Porto da Taça de Portugal e uma boa exibição na Alemanha para a Champions (apesar da injusta derrota) lançam o Sporting para a sua melhor fase da época. Este é um exemplo perfeito de que o futebol é feito de bons e maus momentos. Rapidamente as críticas passam a elogios e vice-versa. Quero com isto dizer que nem o Sporting estava tão mal como diziam, como também não é agora uma superequipa de um momento para o outro. O progresso dos leões é fruto, isso sim, do bom trabalho que a equipa e os seus técnicos estão a desenvolver, aproveitando ao máximo as armas que têm disponíveis e conseguindo superar algumas limitações.

Usufruindo do trabalho prévio de Leonardo Jardim, num plantel onde só faltam Rojo e Eric Dier, Marco Silva manteve a base da equipa, tendo recebido ainda um enorme presente de seu nome Nani. É a estrela da equipa, jogador de craveira internacional, que veio trazer mais brilho e criatividade ao futebol sportinguista. E não é por acaso que o crescimento de produtividade de Nani (com golos e assistências) coincide com o melhor momento leonino. Nani transmite confiança aos companheiros. O seu futebol imprevisível cria desequilíbrios e galvaniza a equipa. Ajuda os leões a controlar as operações, a mandar no jogo com a circulação de bola e a procurar a baliza adversária com frieza, por mais adverso que seja o ambiente. No Dragão, o Sporting não tremeu por força do seu espírito coletivo e porque executou os seus princípios de jogo de forma exemplar.

A pressionante dupla William-Adrien foi um verdadeiro tampão ao ataque dos dragões, sendo que a inteligência posicional de Adrien nas transições ofensivas deu forte apoio aos avançados. Além de Nani, João Mário tem sido a principal mudança de Marco Silva em relação ao passado. Ao contrário de André Martins (médio criativo com dificuldades na marcação defensiva), oferece disponibilidade tática, qualidade de passe e preenchimento de espaços, devido à sua leitura de jogo. Com laterais e extremos rápidos a aproveitar as faixas no ataque, nota-se a preocupação de fechar espaços quando a equipa não tem a bola, sendo que o ponta-de-lança é o primeiro a pressionar os adversários. A maior debilidade está no centro da defesa, com Marco Silva ainda a tentar encontrar a dupla ideal.

O Sporting está num bom caminho, mas ainda com obstáculos pela frente. O calendário é exigente e resta saber se o plantel leonino tem soluções para dar resposta ao cansaço, castigos e lesões que entretanto surgirem. Em termos anímicos, Marco Silva está a moldar o leão para melhor.

O CRAQUE

Bom momento de William

Possivelmente afetado pela possibilidade gorada de uma transferência milionária no defeso, William Carvalho não entrou bem na nova época, com exibições muito abaixo do que fez no ano passado. Contudo, o mau momento passou e a boa forma parece estar de volta. Foi o melhor em campo no Dragão e voltou a jogar bem na Alemanha. Imperial no centro do terreno, o médio de recuperação e o construtor de jogo que a equipa precisa voltou, varrendo todo o perigo e empurrando os leões para a frente. Estando bem, dá outra dimensão ao Sporting.

A JOGADA

Portugueses nos grandes

O Sporting alinha habitualmente com 7 jogadores portugueses na sua equipa titular. Um pormenor que merece ser realçado, ainda mais se tivermos em conta que hoje em dia Benfica (Eliseu e André Almeida) e FC Porto (Rúben Neves, na foto, e Ricardo Quaresma) apenas utilizam com regularidade, respetivamente, 2 jogadores nacionais nas suas equipas. Os clubes têm legitimidade nas suas escolhas e são os títulos que movem a composição de plantéis fortes, independentemente das nacionalidades. Mas é bom ver que a aposta em portugueses também pode dar frutos.

A DÚVIDA

Árbitros de baliza para quê?

Sendo o Schalke patrocinado por uma empresa russa, que por sinal também apoia a UEFA, a nomeação de um árbitro da mesma nacionalidade para o Schalke-Sporting foi pouco sensata e reforça ainda mais as críticas à fraca arbitragem da partida. Além disso, surge novamente o debate sobre a utilidade dos árbitros de baliza. Uma ideia de Platini que não tem efeitos práticos numa indústria de milhões, em que cada erro custa caro. Como se viu no último Mundial, a tecnologia da linha de golo é fiável. E o recurso a imagens televisivas pode ser solução. Faz sentido continuar com juízes de baliza?

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