Um novo Sporting?
Em duas semanas, Domingos conseguiu o golpe de asa que, há quinze dias, este vosso escriba aqui sublinhava como essencial em Alvalade. O Sporting cortou cabeças – os exilados Djaló e Postiga – e refez a equipa, agora com recurso ao muito sangue novo que chegou esta época.
As mudanças de Domingos desfizeram o alinhamento negativo, quase de inevitabilidade astral, que a equipa transportava para o relvado.
Só um novo Sporting conseguiria dar a volta a um resultado negativo de 2-0 já no ocaso da segunda parte. Só um novo Sporting poderia atirar para trás dos ombros os erros dos companheiros – Rodríguez e Rui Patrício – que originaram a desvantagem. Perante os golpes do destino, desta vez, os jogadores mantiveram-se focados, ambiciosos, capazes de escrever um outro fado. O grito que faltava ao Sporting apareceu exuberante na Mata Real. Será para continuar?
Dependerá muito também de Domingos. Agora que a equipa “é dele”, Domingos deve tornar-se um pouco mais extrovertido. Principalmente nos momentos adversos, o treinador não deve ficar alheado dos golpes, sentado, a cismar no ombro do adjunto. Ele é o líder, terá de aparecer seguro e corajoso no meio da tormenta. Mudar. Motivar. Corrigir.
Domingos no banco é pouco exuberante para com os seus jogadores. Protesta bolas fora, faltas ou cartões. Pouco mais. É hora deste jovem técnico encontrar a segurança que exibiu em Braga e conduzir a orquestra de forma mais explícita, também durante os noventa minutos de jogo.
Claro que o principal sinal dado por um técnico são as substituições. E aqui os golpes de Domingos acertaram em cheio. Falta apenas um mais constante diálogo assertivo com os do relvado, onde agora abundam sussurros para o staff técnico.
