Um pioneiro de Record
Perdemos ontem um dos nossos jornalistas mais emblemáticos, Patrício Álvares, retirado já do frenesi diário da redacção, mas um dos cabouqueiros daquele que viria a ser, anos mais tarde, o maior jornal desportivo português – o Record.
Na década de 60, fui colega do pai do Patrício Álvares – que tinha o mesmo nome do filho – na antiga Emissora Nacional (depois RDP), ele à beira da reforma, eu a iniciar-me na rádio. Intelectual, actor, oposicionista ao Estado Novo e perseguido pela Pide – e por isso condenado a posições subalternas na EN e a pequenos papéis no teatro e no cinema – o Patrício, que trabalhava nos Programas, dava pela madrugada fora aulas de política e cidadania aos jovens ignorantes como eu – e era escutado com genuína admiração.
No início dos anos 70, conheci o filho, agora desaparecido, no Núcleo de Teatro das CRGE (hoje EDP), que tive o privilégio de coordenar e que o Patrício integrou nos primeiros tempos. Com a sua morte, esfuma-se mais uma grata recordação do meu passado. É o relógio do tempo que nunca se esquece da nossa hora. Adeus, meu bom Patrício.
