Um primeiro pela janela

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Há uma semana, esta minha costela de franco-atirador deu-me para elogiar aqui a intervenção do ministro Henrique Chaves no diferendo fratricida que opõe a Federação de Andebol de Portugal e a Liga. Mal sabia eu que o ilustre causídico estava à beira de se espalhar ao comprido. Começou pela sua reacção à visita que lhe havia feito o Benfica e com a deselegância de dizer que só por "delicadeza" resolveu não "atirar o DVD pela janela", uma afronta inútil e injustificável ao popular clube de que o ex-ministro é, aliás, associado. Mas o pior ainda estava para vir com a demissão de Chaves do Executivo, quatro dias depois de, pela segunda vez em poucos meses, ter tomado posse. Tenha ou não razão nas acusações que dirigiu ao primeiro-ministro - de quem era amigo há dez anos, o que faria se não fosse... - resultará sempre incompreensível o modo agressivo como abandonou o Governo, imediatamente a seguir a um momento perfeito para se retirar de mansinho. Dou comigo a pensar se não terá tido Henrique Chaves outro momento de delicadeza, já que se calhar lhe apeteceu, logo na altura do "reajustamento" ministerial, "atirar o amigo pela janela". Não o fez, nem era preciso. Jorge Sampaio encarregou-se da tarefa...

1. Víctor Fernández

Têm-se já poucas dúvidas sobre a volta por cima que o treinador espanhol conseguiu dar ao FC Porto. O rude golpe sofrido no Bonfim com a expulsão de Jorge Costa seria dificilmente recuperável ainda há um mês, quando a equipa ainda não revelava a extraordinária concentração exibida na segunda-feira. Por outro lado, parece-me inacreditável a forma como o capitão portista se deixou cair no segundo amarelo, para mais numa partida já marcada pelo entusiasmante golo que rubricou. De qualquer forma, Víctor Fernández está duplamente de parabéns: por aquilo que o FCP já mostra em campo e pela sua afabilidade, ausente do comando técnico dos dragões desde os tempos de Robson...

2. José Couceiro

Os sadinos estão a fazer uma boa SuperLiga, apesar de José Couceiro dizer que não se vão aguentar... Está bem, abelha. O que é verdade é que ainda falta ao Vitória a estaleca para discutir os primeiros lugares, como se viu, mais do que neste último jogo frente aos campeões, com a "chapa 4" sofrida recentemente na Luz. Se deixarem Couceiro continuar a trabalhar como tem feito e o nível futebolístico dos grandes e falidos clubes nacionais continuar a decrescer, o Vitória será uma das equipas que pode, no futuro, andar lá por cima à espera de uma oportunidade igual à que o Boavista aproveitou em 2001. O que não quer dizer que, ainda esta época, não pregue por aí mais umas partidinhas...

3. Trapattoni

Lá estou eu dividido, tentando resistir aos elogios quando ele ganha e às críticas quando perde... Mas, sinceramente vos digo, nem sei como hei-de classificar a exibição do Benfica em Leiria. Acho que nem nos piores momentos peseirudos o Sporting conseguiu jogar tão mal como o Benfica jogou no domingo - e a prova disso é que os leões já lhe estão quase em cima, apesar de tudo o que têm passado. Eu sei que faltavam Nuno Gomes, Miguel, Petit, Luisão... e que a arraia-miúda é voluntariosa, mas de perna curta. O que me espanta é a tranquilidade de mister Trap, ao mesmo tempo que o nosso bom Álvaro salta, grita, avança, recua, faz trinta por uma linha. Qualquer dia, é trocá-los...

4. Carlos Carvalhal

O histórico das visitas do Sp. Braga ao Restelo nos últimos dez anos é claro: cinco vitórias, três empates e apenas duas derrotas com os azuis... de Marinho Peres. O treinador brasileiro, das três vezes que defrontou os bracarenses, ganhou duas e empatou a outra, ou seja, nunca perdeu. Nas últimas duas épocas, Jesualdo Ferreira "retomou" os êxitos de Cajuda (que ganhara três vezes, empatara duas e só perdera para Marinho). Quero com isto dizer que o Belenenses continua "órfão" do técnico que o levou à conquista da Taça de Portugal e cuja carreira parece só poder ser relançada... em Belém. Mas manda a verdade que se diga que o clube do Restelo tem tido em Carlos Carvalhal talvez o primeiro treinador com uma visão de futuro. O modo como insiste com Rolando (e o "Belém" tem claudicado na defesa), o recurso frequente a Rúben Amorim e a Eliseu, o lançamento de Jorge Tavares ou a "recuperação" de Gonçalo Brandão dão conta do trabalho em profundidade que o jovem técnico tem vindo a desenvolver. E, vistas bem as coisas, se o Belenenses não está no ora alargado pelotão da frente não é por falta de de dinamismo, nem de golos. Assim os impacientes sócios azuis tenham paciência para esperar mais algum tempo... Pode valer a pena!

5. Manuel Cajuda

Se adivinhasse o futuro, já saberia quanto tempo mais é que Cajuda aguenta em Aveiro, mas temo que não passe lá o Natal... Trata-se de um treinador com provas dadas, que levou o Sp. Braga por duas vezes ao 4.º lugar, que ficou em 5.º com a União de Leiria há dois anos, que levou o Marítimo à 6.ª posição na época passada e que deixou a Mariano Barreto a excelente "herança" que só não está hoje "colada" ao Benfica e ao Sp. Braga no 3.º posto porque o Gil Vicente com Ulisses Morais é outra loiça. Mas esta coisa de receber uma equipa "pensada" por outro tem que se lhe diga e o que lhe sucedeu no Belenenses em 1998 ameaça repetir-se. Não pode, Cajuda já não pode passar por isso.

2005 ano bom ou mau para a imprensa?

Miguel Coutinho e uma equipa de grandes nomes do jornalismo estarão hoje, ao que julgo, já ao leme do "Diário de Notícias", com a difícil tarefa de travar a queda de um título histórico da imprensa portuguesa. Fernando Madrinha deixa o "Expresso", no qual entra Cândida Pinto, para lançar no grupo de Balsemão o "Correio Internacional", enquanto os jornais de distribuição gratuita - "Destak" e "Metro" - começam a morder nos calcanhares dos diários, e novos semanários se preparam no segredo dos gabinetes... O panorama parece animador, mas... E se o petróleo "galgar" a barreira dos 60 dólares por barril, como admitem alguns economistas, e lançar o Mundo ocidental numa profunda crise? Aumentará de forma brutal o custo de vida... O que sobrará então do orçamento familiar para a compra de jornais? Sou um céptico, felizmente que é o optimismo a mandar nas coisas!

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