Um trono ainda sem rei

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Um trono ainda sem rei
Um trono ainda sem rei

Fora de portas, Portugal é reconhecido pelos seus grandes feitos no mundo do futebol. Temos dos melhores futebolistas do planeta e os clubes portugueses, apesar das limitações financeiras, conseguem apresentar excelentes performances nas competições internacionais. Além disso, o fenómeno Mourinho elevou o prestígio dos nossos treinadores, enquanto que a Seleção Nacional supera os mais difíceis obstáculos com o seu atraente futebol rendilhado que privilegia a circulação de bola.

Tudo isto não é novidade. Mas se dentro das quatro linhas a máquina parece estar bem oleada, fora delas há coisas que não funcionam assim tão bem. Senão vejamos. O futebol português, arrisco em dizê-lo, é uma marca que se impõe a nível internacional, se analisarmos o fenómeno de fora para dentro – repare-se no que acontece quando Cristiano Ronaldo marca presença num evento público, qualquer que seja o país. Por seu lado, de dentro para fora, não se pode dizer que o trabalho seja bem feito, a começar nas mais altas instâncias. Há largos anos que paira uma neblina sobre os organismos que tutelam o desporto-rei, o que tem impedido a implementação de uma estratégia coerente, organizada, eficiente e transnacional.

E aqui há que falar da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que, por sinal, está prestes a viver um momento de “tudo ou nada” para se permitir renascer e dissipar o nevoeiro. Com eleições até ao final do ano, e com novos estatutos aprovados que lhe auferem mais poderes do que nunca, na cadeira da direção da FPF sentar-se-á uma espécie de “superministro do futebol”. Pela frente, este responsável terá de enfrentar três desafios – ser um nome consensual entre os principais clubes, negociar atentamente as questões ligadas a direitos televisivos/publicidade e possuir força política – para conseguir devolver ao futebol nacional a dignidade e brilho merecidos.

Já em fase de contagem decrescente para ficarmos a saber quem vai a votos, fica a pergunta: vamos esperar por um D. Sebastião ou será legítima a esperança de termos, efetivamente, um nome forte, coerente, frontal e capaz de alavancar uma mudança de paradigma no futebol português?

Para este palco perfilam-se alguns candidatos. O atual presidente da FPF, Gilberto Madaíl, ainda não garantiu a sua recandidatura, ao contrário de António Sequeira – personalidade que já deu provas de legitimidade – que se apresenta, segundo o próprio, como “uma candidatura de rutura, porque o futebol chegou a um estado tal, em que é preciso começar tudo de novo”. Mas outras figuras podem entrar em cena, como são os casos de Hermínio Loureiro e Fernando Gomes, sem descurar as possíveis apostas de Fernando Seara e/ou Filipe Soares Franco noutro lado da barricada.

O poder não permite vazios e o nosso futebol merece mais e melhor. E temos de deixar de ser os melhores para passarmos a ser os primeiros. Como referi no início do texto, os portugueses são considerados dos melhores do Mundo, mas ainda não fomos o “número um”, inteiramente e enquanto Seleção Nacional. Como em tudo na vida, o exemplo, a força e a elevação, tem de vir de cima. De uma hierarquia que queira vencer em nome de Portugal.

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