Um viveiro que se renova

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Um viveiro que se renova
Um viveiro que se renova

A venda do portista Danilo terá sido apenas o primeiro capítulo de uma série de bons valores da liga portuguesa que no final da temporada darão o salto para um campeonato maior. Esta é a sina dos clubes nacionais, que por via das suas limitações financeiras encontram num scouting criterioso, na aposta na formação e na valorização de ativos uma forma de sustentabilidade.

Mesmo assim, sem os meios de outras ligas mais poderosas, os clubes portugueses têm tido a capacidade de se apetrechar com alguns dos maiores talentos a atuar na Europa. Há aqui muito engenho na deteção de jogadores de qualidade, mas também no trabalho de laboratório que os nossos treinadores têm vindo a desempenhar no desenvolvimento de atletas competitivos e preparados para jogar ao mais alto nível.

É esta faceta que faz do nosso país o maior viveiro futebolístico europeu. Portugal é a incubadora perfeita para os clubes das principais ligas europeias. Não admira que grandes clubes europeus tenham interesse em colocar jogadores emprestados por cá. E são cada vez mais os jogadores que sabem da importância de passar em Portugal para dar o salto no futuro.

Esse mérito (e fama) acaba reconhecido nos valores milionários que os clubes oferecem pelos atletas das equipas portuguesas. A arte de formar, desenvolver, dar maturidade competitiva e vender é algo em que os clubes nacionais, por força da necessidade e do modelo de negócio adotado, se souberam especializar.

Não estando no topo da cadeia alimentar, com possibilidades de contratar jogadores de créditos firmados, as equipas lusas veem-se na necessidade de encontrar as estrelas do futuro e dar-lhes condições e espaço competitivo para que possam confirmar essa esperança que lhes foi depositada. É um exercício de risco, que obriga a acertar mais vezes do que se falha, mas do qual FC Porto, Benfica, Sporting e Braga, entre outros clubes, se têm saído bem.

Basta ver o levantamento realizado pela revista "World Soccer" com a lista, sempre subjetiva mas que permite tirar ilações, dos 500 melhores jogadores do Mundo, na qual Portugal é a sexta liga mais representada, apenas atrás de Inglaterra, Alemanha, Espanha, França e Itália, para perceber que a identificação da qualidade futebolística existente no nosso país também vem de fora.

O FC Porto é mesmo o nono clube com mais jogadores indicados (nove), ficando à frente de todas as equipas italianas, o que comprova a qualidade que tem o seu plantel e que vem sendo referida ao longo da época. Benfica e Sporting, com quatro atletas citados, também estão bem representados. Todos os clubes serão forçados a reduzir despesas no futuro. A formação terá um peso cada vez maior na composição das equipas, como o Sporting já faz e como parece que Benfica e FC Porto se preparam para fazer. Isso não será propriamente uma má notícia, nem quer dizer que vamos ter equipas mais fracas. Tudo passa pela capacidade de detetar talento com custos mais baixos do que os praticados até agora.

Mesmo que nomes como Jackson Martínez, Salvio, Gaitán, William Carvalho ou Adrien Silva venham a deixar a liga portuguesa no final da temporada, não há razões para deixar de acreditar que os nossos clubes vão encontrar novos talentos, construir e/ou retocar equipas fortes. Mesmo com menos argumentos, vamos continuar a atrair talento para Portugal.

Aproveito para desejar uma boa Páscoa a todos os leitores de Record.

O craque -- O futuro de Nani

Bruno de Carvalho confirmou que Nani não vai continuar no Sporting no próximo ano. As limitações financeiras dos leões não permitem loucuras e o nível salarial do internacional luso está acima das possibilidades. O campeonato português ficará mais pobre. Para o jogador, vir para o Sporting foi a melhor decisão. Reabilitou a carreira, fazendo a sua melhor época de sempre e terá aguçado o apetite de algumas das principais equipas europeias, para o caso de o Manchester United não querer ficar com ele.

A jogada -- Retorno da aposta

No espaço de uma década o FC Porto conseguiu vender três laterais-direitos (Paulo Ferreira, Bosingwa e Danilo) por cerca de 72 milhões de euros. Uma marca impressionante, na medida em que o mercado de transferências tende a valorizar mais os avançados, nos quais os clubes preferem aplicar os seus maiores investimentos. Os dragões têm o talento de vender defesas, médios e atacantes ao mesmo nível de preço. Danilo foi um investimento de risco, mas o FC Porto soube rentabilizar o ativo de forma excelente e vê assim conseguido o retorno desta aposta.

A dúvida -- "Emprenhar" pelos ouvidos

Numa época em que já se falou de uma suposta viciação de resultados e partilha de campeonatos entre clubes, à qual poucos reagiram, o presidente da APAF mostrou-se agora muito ofendido com as declarações de Lopetegui e até pede punição pesada. Dizer que dos árbitros, tal como de treinadores e jogadores, se espera competência é ofensivo? O contrário é que seria grave. Dizer que se acredita na honestidade dos árbitros e que estes não podem decidir campeonatos é grave? A sua função não passa precisamente por aplicar as leis e serem justos? Será que o líder da APAF viu mesmo a entrevista de Lopetegui?

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