Uma derrota com dois meses

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Uma derrota com dois meses
Uma derrota com dois meses

Há um espetro a pairar sobre o início da temporada do Benfica: o final da época passada. Não por acaso, a primeira jornada não foi, de facto, o princípio do campeonato, mas sim um prolongamento do traumático final de 2012/13.

Não tinha de ser assim. O defeso devia ter servido para resolver os problemas herdados, mas não só isso não aconteceu como foram acrescentados novos: na gestão desportiva, na comunicação e até no futebol praticado.

Se é difícil de entender a forma como o incidente Cardozo foi gerido, não é mais fácil compreender uma política de contratações que reforçou, e bem, alguns sectores (paradoxalmente os menos necessitados) mas não encontrou alternativas para posições deficitárias (p. ex. a posição 6) e acabou por ir buscar um lateral-esquerdo, Cortez, que consegue um feito impensável – termos saudades de Emerson. Além de que, convém não esquecer, até ao fecho do mercado há uma forte probabilidade de perdermos jogadores (Matic, Salvio, Garay) cujos substitutos estão a anos-luz.

Na comunicação torna-se difícil encontrar palavras para as compras, vendas, trocas e baldrocas que ocorrem sem que ninguém sinta a necessidade de explicar o que se passa. De Roberto a Pizzi, passando por Fariña, que foi “evoluir” para, imagine-se, o competitivo futebol do Dubai, e terminando na contratação de irmãos de jogadores para a equipa B, há demasiada opacidade e défice de explicações aos sócios e adeptos.

Uma pré-época assim não poderia deixar de ter impacto no futebol jogado. Com um treinador que falhou tudo o que podia ter falhado e terminou a época ajoelhado, a equipa só podia jogar sobre brasas e receosa. Na Madeira, o Benfica foi o espelho deste contexto, apresentando uma formação inicial que parecia concebida para o empate e duas novidades: lentidão exasperante nas transições ofensivas e tremedeira defensiva. Depois, foi esperar que o inevitável acontecesse.

Uma derrota que não foi nem fruto do acaso, nem da sorte e muito menos de erros de arbitragem. Foi, aliás, um resultado que começou a ser construído há dois meses.

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