Uma estrela onde a luz é escassa

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Uma estrela onde a luz é escassa
Uma estrela onde a luz é escassa

Mais do que lateral de topo, Danilo é um futebolista de corpo inteiro, com soluções técnicas notáveis, que será mais feliz, influente e brilhante quando jogar em terrenos mais adiantados e interiores.

1 Está às portas do escrete e isso chega para o qualificar. Aos 21 anos, Danilo já tem um passado na reserva espiritual do futebol que é a seleção do Brasil e, antes de chegar a Portugal, em 2011, disputado com paixão por FC Porto e Benfica, venceu a Taça Libertadores pelo Santos. Sendo um jogador polivalente, tanto pode atuar atrás, longe da zona onde tudo se decide, como fazer parte da sala de máquinas que põe a equipa a funcionar.

A vontade do jogador conta mas as necessidades da equipa falam sempre mais alto. Por mais de uma vez, Vítor Pereira lembrou que o vê como lateral-direito e não como jogador de meio-campo, como se precisasse de recuperar, ciclicamente, a ideia de que o FC Porto, neste momento, não tem condições para permitir que jogue como e onde mais gosta.

2 Danilo tem talento e imaginação para criar desequilíbrios em constantes ações de apoio ao ataque; porque vai e regressa sempre não produz fragilidades defensivas; mesmo perdendo pelo caminho o efeito surpresa, as suas incursões ao meio-campo adversário encerram perigo correspondente à perfeição com que conduz, decide e executa.

A chegada constitui permanente foco de desequilíbrio, pelo cocktail de finta, passe, cruzamento e até remate que transporta. Porque assenta o seu jogo nos pressupostos da inteligência tática e da responsabilidade com que gere as sucessivas viagens de ida e volta a território inimigo, é um jogador com argumentos para ser útil noutras funções. A questão é que o FC Porto precisa dele como lateral-direito – e agora mais ainda porque não há outro no plantel.

3 Sendo verdade que a direita recuada do palco não costuma oferecer grandes protagonistas às representações, os holofotes não o perdem de vista. Numa zona por norma irrelevante para o desenrolar da história, onde os papéis são desempenhados por atores menores ou por outros que tiveram de recuar para extraírem toda a qualidade que possuem (desde logo menor em relação à que julgavam ter), Danilo é um intérprete de primeira grandeza, uma estrela cintilante em zonas de luz escassa.

O efeito sobre a plateia costuma ser impressionante, porque raros conseguem, a partir da periferia do jogo, vencer a escuridão e invadir os espaços mais iluminados da peça. Mostra assim que o corredor onde vive, habitual porto de abrigo de jogadores mais limitados, também pode ser prisão para um talento superior.

4 Não é de estranhar, pois, que Danilo prefira ser mais preponderante, até porque o seu disco rígido está repleto de argumentos que o recomendam como centro-campista: visão e capacidade para alimentá-la, a curta, média e longa distância; excelente articulação motora em velocidade, traduzida na capacidade para ganhar terreno em exercícios solitários mas também pela via do jogo combinado; sentido de organização, espaço e distribuição; inteligência tática, intensidade, dinâmica e perfeição no modo como se posiciona em campo.

Muito mais do que um lateral de topo, Danilo é um futebolista de corpo inteiro, com soluções técnicas notáveis, cujo peso e brilhantismo aumentarão em terrenos mais adiantados e interiores. Só aí terá o privilégio da liberdade, da influência e da felicidade plena.

Essa desculpa do erro técnico

Mourinho denunciou irregularidades na votação para a Bola de Ouro e o Mundo indignou-se

O clima de revolta foi gerado não pela hipótese de ter razão mas pelo que as suas palavras indiciavam de despeito pela derrota. Pandev, capitão da Macedónia, confirmou ter votado em Mourinho e não em Del Bosque, como ficou registado.

Ficamos agora a saber que a federação assumiu a falha de ter recebido votos para atribuir a um e tê-lo feito a outro – e a partir de agora tudo é possível. Resta o esfarrapado argumento do “erro técnico” e as desculpas federativas ao seu capitão e ao técnico do Real Madrid. Com vossa licença, andam a brincar ao futebol.

A lição que vem de Guimarães

Quando uma equipa vale mais do que a soma das partes, o mérito só pode ser do treinador

É isso que sucede com o extraordinário V. Guimarães de Rui Vitória. Obrigado a gerir tecnicamente um plano para salvar o clube, em forma de reestruturação (leia-se enfraquecimento) do plantel, a verdade é esta: quanto mais titulares saíram, mais e melhor a equipa passou a jogar.

Subiu na tabela (está no 6.º lugar na Liga) e, após vitória no Restelo, tem a final da Taça de Portugal no bolso. A lição é eloquente, porque o recurso à juventude, em vez de fatalidade, constituiu uma janela de oportunidade. De outra forma, estes miúdos continuariam à espera de mostrar o que valem.

Quando o cartão é uma grosseria

A luta do árbitro e dos seus assistentes contra a tecnologia está condenada ao fracasso

O juiz pouco pode fazer para escapar ileso às armas superiores que sufragam as decisões que toma. Por isso, tem de ser pragmático e evitar confrontos com os quais só tem a perder. Por exemplo, na impossibilidade de decidir sempre bem, deve orientar-se por aquilo que vê.

Hugo Pacheco foi intérprete de um erro cada vez mais comum no futebol: Fredy entrou na área e foi empurrado por Alex. Que não tenha visto penálti é mais do que aceitável. Grave foi ter visto para lá da realidade, entendendo que o atacante simulou falta. O cartão amarelo, nestas circunstâncias, é uma grosseria.

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