Uma exibição para refletir
O futebol tem destas coisas. Ao 16.º jogo oficial, o FC Porto sofreu a primeira derrota da época. Na pior altura possível, já que este mau resultado surgiu logo naquele que Julen Lopetegui apelidou de “jogo mais importante do ano” e pode comprometer um dos grandes objetivos da temporada. Mas o alarme soou com a fraca produção da equipa. A Lopetegui e seus jogadores não resta outra alternativa do que melhorar e arrepiar caminho nos próximos desafios.
Uma equipa lenta e sem ideias, com uma posse de bola estéril que muito lateralizou o jogo e não apresentou dinâmica ofensiva que permitisse criar brechas na defensiva adversária. O FC Porto acabou por se tornar uma presa fácil para o Dínamo Kiev, que obrigado a ganhar, nem precisou de chamar a si as despesas do jogo para sair vitorioso no Estádio do Dragão.
Com a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões em causa, não se notou a “importância” do jogo. E isso é algo a rever. Os dragões terão feito um dos piores jogos da era Lopetegui. A equipa bloqueou e falhou em todos os setores. O treinador do Dínamo bem falara na véspera em fragilidades, mas não serviu de aviso nem espicaçou os dragões que, precisando apenas de empatar, se apresentaram demasiado subidos. Terá faltado pragmatismo, para jogar com o tempo e forçar os ucranianos a ceder espaços.
Tudo correu mal. As opções do treinador, bem-sucedidas noutras partidas da liga milionária, acabaram por não ser felizes. Só alguma insuficiência física explica a ausência de André André no onze titular, um dos elementos mais mobilizadores com raça, intensidade e dinamismo. Além disso, nenhum dos criativos, como Brahimi, Tello ou Corona, fez a diferença.
A desilusão é grande, ainda mais porque esta é a competição em que o treinador espanhol mostra melhor serviço. O Dínamo Kiev não é superior ao FC Porto. E habitualmente, 10 pontos são mais do que suficientes para passar à fase de grupos. Neste caso, poderá não chegar, embora nada esteja perdido. A decisão terá de ser feita contra o Chelsea, em Inglaterra, onde os portistas nunca venceram.
No ano passado, Julen Lopetegui sofreu o estigma de a sua equipa ter claudicado em alguns momentos decisivos. Este episódio alimenta alguma desconfiança dos adeptos. É certo que lidera uma equipa jovem, à procura de maturidade competitiva. Mas esse amadurecimento terá de ser conquistado rapidamente, já que uma equipa como o FC Porto vive com a pressão de ganhar.
Não será por falhar o objetivo Champions que o seu lugar estará em causa. Outros também falharam e foram campeões nacionais. Mas o alerta é evidente. A conquista da liga só será possível com um futebol de maior qualidade e rendimento. Há que identificar e corrigir erros, mesmo que isso implique colocar no banco nomes consagrados. E melhorando o futebol da equipa, também se mobilizam as bancadas.
Continuo a entender que o técnico espanhol encaixa no perfil de treinador para uma equipa como o FC Porto. Um treinador jovem e ambicioso, à procura de títulos, com um conceito de futebol ofensivo, capaz de valorizar ativos e de enriquecer o palmarés do clube. Mas terá de o mostrar dentro de campo com vitórias consistentes, sem altos e baixos exibicionais, para não surgirem surpresas ao virar da esquina. A cumprir-se o primeiro terço do campeonato, a margem de erro vai estreitando. E a exigência dos adeptos portistas é só uma: ganhar. Jogando bem, fica mais fácil lá chegar.
O craque – Garantia de fiabilidade
No ano passado esteve com um pé fora de Alvalade e chegou mesmo a incompatibilizar-se com o presidente por não o deixar sair. As tréguas surgiram mais tarde e a renovação de contrato foi o desfecho feliz para que hoje seja um dos elementos mais utilizados na equipa do Sporting. O defesa esquerdo Jefferson é um dos jogadores com mais assistências na liga e uma peça importante na estratégia dos leões. A profundidade que dá ao corredor esquerdo, os bons cruzamentos que executa e a eficiência defensiva fazem do experiente brasileiro uma opção fiável da qual Jorge Jesus não tem prescindido.
A jogada – Sporting voltou a ser melhor
Tal como se previa, o dérbi lisboeta da Taça de Portugal foi muito diferente do jogo da liga. Mais competitivo e equilibrado, e com a variante de ser desta vez o Benfica a conseguir adiantar-se no marcador. Os leões conseguiram dar a volta ao resultado e justificaram a vitória, porque foram mais pressionantes e controlaram as operações no miolo do terreno, sobretudo depois da passagem de João Mário para o centro. E a polémica, como não podia deixar de ser, continua. Está visto que teremos uma temporada cheia de episódios e de “barulho”.
A dúvida – De regresso à Argentina?
O ponta de lança Osvaldo foi um dos nomes sonantes que chegou esta temporada ao Dragão e uma das alternativas encontradas para suceder a Jackson Martínez. Tem estado na sombra de Aboubakar e apesar da garra e qualidade demonstradas nas oportunidades que vai tendo, não tem sido feliz na finalização, aquilo que mais conta para um avançado. As notícias recentes dizem que pode agora estar de regresso ao Boca Juniors, que vê nele o “9” ideal para atacar a próxima Taça Libertadores. Com a promoção iminente do jovem André Silva, estará o ítalo-argentino de malas aviadas para a Argentina?
