Uma questão de classe
A palavra classe pode ser utilizada como sinónimo de categoria, ordem e qualidade. E em tudo na vida há momentos que definem a posse ou falta desta característica, que podemos qualificar como essencial. O futebol português tem sido pródigo em momentos de classe, mas também apresenta episódios menos elogiáveis. Vejamos alguns exemplos recentes desta espécie de “Yin e Yang”.
As “chicotadas psicológicas” verificadas no V. Guimarães e na U. Leiria revelaram uma imensa falta de classe. O lavar de roupa suja entre a direção vitoriana e o seu ex-técnico, Manuel Machado, homem com muitos anos de casa, não prestigia a imagem de ambos. Já o despedimento de Pedro Caixinha em Leiria, com a SAD a apontar a “falta de sorte”, não fica bem na fotografia.
Igualmente sem classe têm sido os sucessivos momentos de desconcentração do guarda-redes Rui Patrício. Ser dono da baliza da Seleção Nacional traz responsabilidades e é importante que perceba que não pode repetir as falhas que cometeu. Senão, a concorrência (Eduardo e Quim) poderá ter nova oportunidade.
A humildade também faz os campeões e declarações como as de Cristiano Ronaldo sobre os assobios dos adversários não abonam a seu favor. CR7 é um ídolo para muitos jovens e o seu comportamento deve ser exemplar. Não é por ser “guapo” ou rico que os rivais o tentam arreliar, mas sim porque admiram as suas façanhas. Entrar em quezílias não se compadece com a classe de um dos melhores jogadores do Mundo.
Haver árbitros que se negam a apitar jogos de um determinado clube não merece elogios. E o problema poderia ser bem maior. Se contarmos as equipas que criticam os árbitros, nenhum jogo se realizaria. Nota zero para a classe da arbitragem, que se solidarizou com a greve às partidas do Sporting.
James Rodríguez tem tudo para vir a ser um jogador de classe mundial. Mas a expulsão, no jogo com o Feirense, mostrou que ainda é um jogador por moldar, acusando o peso de uma equipa às suas costas. A agressão (ou tentativa de) levou-o do céu ao inferno. Apenas um jogo de castigo foi lisonjeiro. Que regresse depressa às boas exibições.
Passemos a coisas positivas. Oscar Cardozo, que esteve praticamente com os dois pés fora da Luz, continua a fazer aquilo que melhor sabe com classe: golos. Abdicar do melhor avançado do Benfica na última década seria um erro. Podem dizer que é lento, tosco e que joga pouco para o coletivo. Mas faz golos, muitos, e nenhuma equipa desdenharia um jogador assim.
Na Académica, Éder tem estado no cimo das atenções. O potencial do avançado tinha sido prognosticado há muito e, com Pedro Emanuel, o guineense está a provar capacidades. Como tem dupla nacionalidade, a Seleção portuguesa pode ser a próxima classe. Tem a palavra Paulo Bento.
O histórico Atlético Clube de Portugal comanda a Segunda Liga. Ainda é cedo para descortinar onde andará a equipa dentro de alguns meses, mas a sua ascensão, numa divisão extremamente competitiva, merece o devido louvor.
E uma palavra para o clássico entre FC Porto e Benfica no Dragão. O empate com as águias mostrou que os dragões, desta feita, não terão a vida facilitada na luta pelo título.
