Uma questão de pernas
Phelps está quase a regressar a casa para um novo prazer: ficar sem fazer nada. Leva 8 medalhas no bolso mas ao ritmo que se batem recordes na natação, quando chegar Londres'2012, essas 8 já serão pouco.
As oito medalhas, oito sorrisos de Phelps correram mundo - Spitz foi sugado pelos media - mas Bolt é talvez a principal figura dos Jogos.
Se a Tayson Gay tudo correu mal, Bolt passeou-se pelo Ninho do Pássaro como se fosse uma brincadeira. Os 100 e 200 metros foram corridos como uma espécie de passeio. Sapatilhas desatacadas, braços em baixos, adversários lá para trás, um sorriso de orelha a orelha e novos recordes. Até o photofinish "se sentiu" dispensável. Enfim, de outro mundo.
O que terão os jamaicanos de diferente para dominarem a velocidade? São do contra, pode dizer-se. Ao invés do comum dos mortais, que dá mais importância à parte superior do corpo do que à inferior na hora de se apaixonar, os jamaicanos olham mais para as pernas (são estudos com rigor científico).
Também muito se falou das pernas de Phelps, curtas para o tamanho do tronco, mas cujo comprimento é fundamental para bater recordes atrás de recordes.
As pernas de Nélson Évora também terão de ter alguma coisa de especial para fazer dele um "animal de competição", como disse, após a vitória no triplo salto, o seu treinador João Ganço. Mas o novo campeão olímpico de Portugal tem mais do que isso: cabeça.
Se alguém tinha dúvidas, deixou de as sentir só com um minuto do seu discurso de consagração.
