Vai Bernardo!

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É provável que só um benfiquista sinta o dia de ontem com aquela vibração paradoxal de vender Bernardo Silva. Para os cofres do Benfica, o negócio é estupidamente bom. Para os seus adeptos foi um longo lamento, como se viu sobretudo nas redes sociais. Não se vendeu um bruto diamante, mas vendeu-se um diamante em bruto.

Sejamos frontais: o Benfica fez o que tinha de fazer. O valor da transação, quase 16 milhões de euros, é um jackpot inesperado para um clube que está bem carente de receitas para gerar resultados e baixar a sua dívida. A alternativa era pôr o miúdo a render na equipa sénior para tentar valorizá-lo. A expectativa de ganhar mais aumentava. O risco de ganhar menos também.

O rapaz jogou meia hora na equipa de Jorge Jesus – e se não estava, não pode sentir-se a sua falta. Mas havia ali futuro – e essa coisa em desuso chamada mística. O “novo Rui Costa”, como toda a gente lhe chama, ou o Messizinho do Seixal, como lhe chamou ontem Pedro Candeias, tem essas duas características raras: a qualidade aparente de um predestinado (no drible, no passe, na visão de jogo, na organização do ataque) e um benfiquismo a roçar o fanatismo. Ah: e é português, coisa que não abunda no nosso futebol, sobretudo no Benfica. Ah: e é formado nas escolas do Seixal, que Luís Filipe Vieira traz sempre na lapela.

O investimento do Benfica na formação no Seixal é um indesmentível. Mas ou esse investimento tem como meta criar a base portuguesa (e mais barata) de equipas de futuro, ou é um viveiro de “peixes” engordados para vender. Foi o caso de Bernardo Silva. Um negócio espetacular que paradoxalmente põe em causa a estratégia anunciada pelo Benfica de fazer medrar os seus jogadores jovens. Este já lá vai. Nós cá ficamos a torcer-nos por ele mas também a torcer por ele. Que vá bem!

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