Vai ser renhido
Parecem não restar dúvidas que, para já, Benfica e FC Porto não estão a apresentar a mesma consistência exibicional que mostraram na época passada. Os jogos europeus desta semana, de dificuldade máxima, mostraram que ainda há muito por corrigir. Esta situação abre novas perspetivas a Sporting e Braga, duas equipas em crescendo, que se podem aproximar aos principais candidatos na luta pelo título.
O Benfica entusiasmante, de futebol alegre e dinâmico, que vimos no ano anterior, ainda não apareceu. A equipa está mais lenta no processo ofensivo e denota alguma passividade na recuperação de bola e pressão sobre o adversário. Fragilidades que se tornaram ainda mais visíveis perante um oponente fortíssimo como o PSG, que a certa altura nem precisou de carregar muito no acelerador.
A postura competitiva da equipa encarnada terá de ser outra. Contra o Belenenses, ficou a sensação que o “chip” desligou assim que o primeiro golo apareceu, começando muito cedo a pensar na gestão do resultado e a deixar de criar perigo. Os 90 minutos de jogo devem ser encarados com a mesma intensidade, precisamente para precaver qualquer tipo de percalço.
Além disso, há que repensar estratégias no povoamento do meio-campo. Para consumo interno, a inferioridade numérica neste sector não será um problema na maioria dos jogos, mas na Europa a música é outra. Na Liga dos Campeões, quase todas as equipas se apresentam bem apetrechadas na zona intermédia. Foi notório que as águias equilibraram a luta no meio-campo com o PSG, quando Jorge Jesus juntou Enzo Pérez a Matic e André Gomes. Tendo pouca gente no miolo, o Benfica arrisca-se a desequilíbrios e erros que podem ser fatais.
Quanto ao FC Porto, as desatenções defensivas e a incapacidade de manter a mesma bitola exibicional durante os 90 minutos têm sido os principais problemas. A equipa tem registado entradas fortes nos jogos, com futebol dominante e intenso, mas vai perdendo gás e acaba mesmo por não conseguir gerir as partidas com a mesma tranquilidade que fazia no passado.
Dois erros defensivos valeram a derrota com o Atl. Madrid. Tal como já aconteceu noutros jogos este ano, assim que se apanhou em vantagem, o FC Porto deu mais bola ao adversário, deixou de pressionar alto e o seu ataque tornou-se estéril. Este adormecimento não pode acontecer. Já o referi antes, não faz sentido colocar o FC Porto a jogar à Paços de Ferreira, com todo o respeito que me merece este último emblema.
A ganhar, a equipa de Paulo Fonseca recua no terreno, pressiona menos e não assume a posse de bola. E a falta de extremos rápidos, capazes de desequilibrar no um para um, também não ajuda uma equipa habituada a jogar em ataque contínuo a aproveitar jogadas de contra-ataque. Por outro lado, a permeabilidade não era coisa que estávamos habituados a ver numa defesa tradicionalmente tão segura como a dos dragões.
Enquanto FC Porto e Benfica ainda não se encontram no seu melhor, o Sporting está a mostrar que tem argumentos para discutir os lugares cimeiros. Os leões apresentam-se mais fortes em todos os sectores e contam com um avançado com faro de golo para fazer os adeptos sonhar. Se os rivais deixarem, a aproximação do Sporting é possível, já que a equipa, bem comandada por Leonardo Jardim, é jovem e promete crescer ao longo da temporada. E junte-se o Braga a estas contas. Com um plantel recheado de soluções e bons valores, Jesualdo Ferreira tem condições para também se intrometer nesta luta.
O CRAQUE
Grande ciclista
Costumo aproveitar este espaço para distinguir futebolistas do nosso campeonato e jogadores portugueses que estão no estrangeiro. Esta semana, abro uma exceção para falar do ciclista Rui Costa. O ciclismo português vive um momento extraordinário por obra deste senhor, campeão mundial de estrada e atleta notável, a nível pessoal e profissional, que já se tinha notabilizado com a vitória em três etapas do Tour, além de outras provas. Não ficará seguramente por aqui. Depois de Joaquim Agostinho, o nosso país volta a ter um grande ciclista internacional. Bravo!
A JOGADA
Marquinhos e a Seleção
Sem qualquer tipo de pudor, em Espanha, fala-se na possibilidade de o brasileiro Diego Costa (que já jogou em Portugal) ser chamado à seleção espanhola. No nosso país, a chamada de brasileiros à Seleção, ao contrário de atletas das antigas colónias africanas, é vista com desconfiança, o que se estranha, dada a ligação histórica dos países. Se tiverem qualidade, por que não? Vem isto a propósito depois de Marquinhos, defesa-central luso-brasileiro do PSG, e grande promessa mundial, ter manifestado a sua disponibilidade para representar Portugal. Será que vamos aproveitar a oportunidade?
A DÚVIDA
O que se passa com Herrera?
Três meses depois de ter chegado ao Dragão, a mais cara contratação portista soma apenas 20 minutos na equipa principal. A falta de espaço de Héctor Herrera começa a ser um enigma, ele que, pelos valores envolvidos na contratação, era visto como principal substituto de João Moutinho. No entanto, o mexicano continua sem alinhar e só teve espaço competitivo na equipa B. É certo que necessita de tempo de adaptação a um novo país e futebol, mas essa ambientação também passaria por maior utilização, como aliás acontece com Quintero. A que se devem as dificuldades de afirmação?
