Valentino Rossi
Aprecio ver na televisão e ao vivo corridas de motos. Se calhar é por, em tempos, quando era mais novo, ter tido uma mota. Para além de várias motas cheguei a ter uma Honda 1000F e a emblemática Honda 1100XX. Desloquei-me várias vezes ao Estoril para ver corridas de motas.
Por outro lado, na prova rainha há emoção a rodos: ultrapassagens, quedas, mudança de posição, constante disputa, interesse e prazer de seguir.
Este ano, Valentino Rossi está espectacular. Aprecio-o há muito tempo e impressiona-me com a sua idade (36 anos), fazer ver aos mais novos que ainda não é tempo de ir para o sofá.
Valentino Rossi consegue vencer pela sua técnica apurada, frieza, e porque não dizê-lo, inteligência. É um craque na gestão do medo segundo os médicos e, mede muito bem todas as coisas que faz, a sua experiência em stress de corrida permite-lhe quase sempre fazer as melhores opções.
Este ano caminha a passos largos para obter o 10.º título no conjunto de todas as categorias e sagrar-se campeão de MotoGP pela 8.º vez. O meu receio é que vença este ano e abandone de seguida. A sua presença cria emoção e é fascinante.
Ser o melhor não é só ter velocidade. Quando tinha a idade de Lorenzo e Márquez era praticamente imbatível. E se eles corressem nessa altura, (não o podiam fazer porque andavam de triciclo) não teriam hipóteses.
Valentino Rossi é bom mentalmente, fisicamente e tem algo que o distingue: a arte de travar. É um corredor que mais tarde trava e mais intensidade exerce na travagem, que lhe permite parar a mota em menos metros e menos tempo.
Antes do Grande Prémio do Japão, no circuito de Aragón no duelo Rossi vs. Pedrosa, percebi que Valentino Rossi perdeu esse duelo para não arriscar cair e perder muitos pontos para o seu rival Lorenzo.
Valentino Rossi, em duelos corpo a corpo é muito bom, tem uma enorme envergadura física em relação aos outros corredores, tem muita concentração, tem uma pilotagem muito fina, gasta pouca energia, o que faz com que seja um piloto muito bom em corrida: gasta pouco os pneus e desgasta-se pouco fisicamente.
Jorge Lorenzo nunca reconhece que Valentino Rossi ganha porque é melhor. Sempre com desculpas: ou é chuva; ou é o capacete embaciado; ou que copia os seus dados de telemetria. Não tendo mais nada para desculpar-se alega o factor sorte! A sorte procura-se e faz-se por isso, lutando e não desistindo.
Lorenzo é mais veloz na corrida e em velocidade de ponta, mas falta-lhe consistência até ao fim da corrida e enfrentar lutas e despiques. Parece um computador, quando toma a dianteira e se não for pressionado vence facilmente. Porém as corridas são feitas por humanos em que entra o factor imprevisibilidade e é preciso saber lidar com isso.
Lorenzo depois do Grande Prémio do Japão ficou a dezoito pontos de Rossi e já não depende dele para ser campeão. Poderá vencer na Austrália, Malásia e Valência, se Rossi ficar em segundo em todas estas provas bastará para ser campeão. As próximas corridas serão fantásticas em emoção e adrenalina.
Tenho acompanhado o português Miguel Oliveira um corredor cerebral que tem feito excelentes resultados e fico à espera que um dia chegue à prova rainha
