Venha o Europeu de 2016
O Mundial do Brasil continua em andamento e ainda falta um pouco até se conhecer o sucessor da Espanha. Contudo, para os portugueses, a prova perdeu algum encanto. A eliminação da Seleção, logo na fase de grupos, retira interesse à competição, pois sendo certo que temos ainda muito bom futebol para ver, a coisa só é “a sério” se Portugal andar metido ao barulho. Mas, infelizmente, já não está lá. Por culpa própria.
Sim, é justo falar das lesões, dos azares com os remates aos ferros, das interpretações dúbias dos árbitros (tanto no capítulo disciplinar como técnico), das adversas condições atmosféricas e, já agora, do valor dos opositores. Mas, sejamos claros, nem com tudo isso Portugal devia estar já em casa. Objetivamente, os “oitavos” não foram atingidos devido ao empate com os Estados Unidos. E como não estamos a falar de basquetebol, hóquei no gelo, futebol americano ou beisebol, mas sim daquilo que eles batizaram como “soccer”, Portugal devia ter ganho. Agora, como em 2002, na Coreia do Sul. Em campo neutro, perante um conjunto sem histórico relevante em Mundiais, sem estrelas de primeira linha, sem jogadores habituados aos grandes palcos, só a vitória é admissível. Mas a Seleção falhou, mesmo tendo feito o 1-0 logo a abrir. Falhou dentro e fora do campo. E tentar justificar o desaire com a menor condição física de Ronaldo é teoria que não me convence. Podia estar melhor o capitão? Claro! Mas, a França perdeu Ribery, a Colômbia não tem Falcão, a Holanda ficou sem Van der Vaart, os Estados Unidos deram-se ao luxo de prescindir de Donovan e a Argentina de Tévez e até a sensacional Costa Rica surgiu sem dois titulares indiscutíveis (Oviedo e Saborío) e nem por isso os resultados foram maus. Em suma, quando as equipas são exatamente isso, as lesões atrapalham mas não anulam as possibilidades de sucesso.
Tenho para mim que talvez nunca se saiba, ao pormenor, tudo o que de errado aconteceu com a participação lusa no Brasil. E seria essencial perceber muitas coisas. Mas, como não se poder alterar o passado, o melhor é olhar para a frente, que é como quem diz para o Europeu de 2016. Num grupo com Sérvia, Dinamarca, Albânia e Arménia até como terceiros colocados poderemos garantir o apuramento. Convém é não facilitar como no Brasil...
