Ventos favoráveis

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Ventos favoráveis
Ventos favoráveis

FC Porto, Benfica, Sporting e Sp. Braga entraram com o pé direito nas competições da UEFA e encontram-se, deste modo, bem lançados para a passagem à fase seguinte. A jornada europeia trouxe bons ventos, que não se ficaram pelos resultados obtidos. As quatro equipas nacionais mostraram que estão a crescer e aguçaram o apetite para uma época cheia de emoções.

Na Liga dos Campeões, o FC Porto evidenciou grande capacidade de resposta às adversidades, num jogo que prometia ser tempestuoso. Com uma posse de bola que por vezes chega a ser asfixiante, a equipa de Vítor Pereira conta com a alta rotação de João Moutinho, a força de Hulk e a criatividade de uma estrela em ascensão, James Rodríguez, agora ambientado às exigências do futebol europeu. Diante de um Shakhtar Donetsk que nunca se rendeu, mesmo em inferioridade numérica, os dragões exibiram credenciais para ir longe. Em dia de estreia na competição, Kléber apontou o golo da vitória, feito semelhante ao de um compatriota seu, Mário Jardel, que eu tive a felicidade de lançar há 15 anos, em San Siro, frente ao Milan. Um bom augúrio.

Já o Benfica tinha uma missão mais complicada e não se saiu mal. O Manchester United poupou alguns titulares, mas isso não tornou o jogo fácil (quem enjeitaria as suas segundas linhas?). As águias não se atemorizaram com o nome do adversário e partiram em busca do golo, com a imaginação de Aimar e Gaitán (Alex Ferguson tinha previsto o perigo) em evidência. A veia goleadora de Cardozo, a segurança de Luisão e a profundidade de Maxi Pereira no corredor direito são trunfos importantes. O Benfica ganhou um ponto, mas mereceu a vitória e a equipa de Jorge Jesus tem todas as condições para ir de vento em popa e chegar aos oitavos-de-final e, quiçá, discutir o primeiro lugar do grupo.

O Sporting parece ter encontrado o trilho das vitórias, com a equipa de Domingos Paciência a evidenciar maior entrosamento. No meio-campo, o argentino Rinaudo está a revelar-se uma das melhores contratações leoninas, trazendo segurança defensiva ao sector. Já Diego Capel é um dos principais municiadores do ataque, onde está um diamante por lapidar, Ricky van Wolfswinkel. No jogo da Liga Europa frente ao Zurique, viram-se outras notas positivas e airosas. Rodríguez é sinónimo de solidez na defesa, enquanto Insúa dá estabilidade ao corredor esquerdo. E ainda faltaram Izmailov e Matías Fernández, que podem levar a equipa para um patamar competitivo superior. O Sporting tem condições para ir longe na prova.

Antigamente, à exceção dos três grandes, a inexperiência das equipas portuguesas nas competições europeias fazia-se pagar caro. O Sp. Braga ultrapassou esse estigma e, após o brilharete europeu da época passada, joga à vontade em qualquer estádio e pode sonhar. Contra o Birmingham, que apesar de estar numa divisão secundária, tem um orçamento bem mais alto, dominou as operações. Alan, Hugo Viana e Lima são elementos cruciais para o equilíbrio da equipa de Leonardo Jardim, aos quais se juntam os experientes Quim e Nuno Gomes. Em destaque estão ainda Djamal (um gigante que dá músculo ao centro do terreno) e o extremo Hélder Barbosa que parece estar, finalmente, com o vento ponteiro para o seu ano de afirmação no futebol português. As equipas nacionais têm motivos para sorrir ao som da brisa. Com menos dinheiro, conseguem esgrimir argumentos com os melhores a nível europeu. E deixam-nos ficar com água na boca para uma competição interna que se antevê bem renhida.

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