Verão sem craques
Este defeso está pouco atacante. O mercado dos jogadores, que nesta altura se agita sempre em grande estilo, está fraco. Não é só em Portugal, é também em Espanha, é na Itália. É a crise, claro. Até porque os países que não estão com problemas económicos, como a Alemanha, são menos contratadores de estrelas internacionais.
A recessão económica chegou aos bolsos dos clubes. Sobretudo nos países do sul da Europa, que só agora estão a enfrentar a crise financeira que sempre foram negando. Como se fosse apenas uma questão da Grécia, da Irlanda e de Portugal. Não é, é um problema do euro. E assim, como um dominó, a austeridade e a contração económica vão atravessando fronteiras. A crise é muito grande e de evolução imprevisível. Menos vendas de bilheteira e, sobretudo, menos dinheiro dos patrocinadores estão a reduzir dramaticamente as receitas dos clubes. Por outro lado, os bancos estão em processo de “desalavancagem”, travando o crédito. E isso faz com os clubes reduzam os seus investimentos em jogadores, que países como a França aumentem os impostos, que a própria folha salarial de jogadores precise de ser revista. Ao contrário do que muitas vezes se diz, o futebol não é uma ilha da economia, que possa flutuar mesmo quando tudo se afunda à sua volta.
A verdade é que os salários que se pagam aos melhores jogadores que estão em Portugal são próprios das Arábias. Porque esse é o preço definido num mercado sem regras, ao contrário do que acontece por exemplo nos mais importantes desportos americanos. Os clubes pactuam com essa loucura, ao ponto de estarem hoje reféns de bancos, que por sua vez estão eles próprios com resultados maus. Esta crise está a modificar sectores inteiros. Irá mudar alguma coisa no futebol? Por exemplo, baixar os salários da estratosfera em que vivem?
