Vercauteren salva Godinho?

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Vercauteren salva Godinho?
Vercauteren salva Godinho?

François Vercauteren realiza a sua estreia este domingo em Setúbal e a expectativa está criada em volta da possibilidade de o Sporting regressar às vitórias, após um ciclo competitivo que dificilmente poderia ser mais negativo: perda de 14 pontos na Liga (à média de 2 por jornada), eliminação da Taça de Portugal (aos pés do Moreirense) e último lugar no Grupo G da Liga Europa, com 1 ponto em 9 possíveis.

Poderiam ser contingências de um calendário demasiado apertado e exigente, mas a verdade é que, considerando também os orçamentos e as condições em que competem os adversários, só a derrota adregada no Dragão, frente ao FC Porto, campeão nacional, líder do campeonato (a par do Benfica) e a realizar excelente campanha na Champions, corresponde a um resultado normal e perfeitamente aceitável.

Para além daquilo que se conhece do “catálogo” de Vercauteren, o novo treinador do Sporting até agora fez três coisas:

1. Na sua apresentação, ao lado de Godinho Lopes, que já assumira então o futebol, não teve forte preocupação de passar uma imagem demasiado contundente (voltar a ganhar; saber andar antes de começar a correr; recolocar o Sporting no lugar que merece);

2. O seu primeiro acto de gestão desportiva foi no sentido de dar uma folga o plantel do Sporting, após o empate consentido frente à Académica;

3. Impôs a si próprio um tempo de observação do plantel, aceitando sentar-se no banco de suplentes nove dias depois da assinatura do contrato.

François Vercauteren sabe que o seu objectivo é ajudar o Sporting e, com isso, conseguir um novo contrato, mas talvez não tenha a noção de que o futuro de Godinho Lopes como presidente também está dependente do seu desempenho.

Preto no branco: não é habitual nem existe neste momento no futebol português um presidente que esteja tão dependente dos resultados desportivos. Normalmente, um presidente escuda-se no desempenho dos seus subordinados. A verdade é que, em Alvalade, não há mais ninguém para “queimar”: foram treinadores (três em ano e meio), directores-desportivos, dirigentes, administradores. Godinho Lopes não tem mais ninguém para sacrificar, a não ser Eduardo Barroso, o último resistente à operação de “presidencializar” o Sporting. Com efeito, o dirigente que mais danos causou ao Sporting, através das suas continuadas ingerências no futebol (um presidente da assembleia geral é para ter um papel institucional; não é para andar de botas cardadas em terrenos que não conhece) e eleito através de uma lista concorrente, foi quem mais resistiu. Paradoxalmente.

François Vercauteren tem hoje no Sporting um poder superior ao do “Espírito Santo”: é ele o único que pode “salvar” Godinho Lopes.

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