Verde humilhação

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Contra factos não há argumentos: a actual equipa do Sporting tem "cabedal" para lutar pelos troféus nacionais, revela força suficiente para bater o pé aos emblemas medianos (e aos apenas bons) do contexto do futebol europeu mas, decididamente, não tem "pedalada" para fazer frente aos grandes internacionais. Quem duvidou dessa tese após as "amolgadelas" sofridas diante Real Madrid, Barcelona e Bayern Munique (partida da primeira mão dos "oitavos" da "Champions", em Alvalade), creio que, agora, deve estar convencido.

Mas, pior do que confirmar-se que o Sporting não tem soluções, em quantidade ou qualidade, para equilibrar contendas com adversários de primeira linha, creio ser justo acrescentar que o problema é bem mais extenso. É que perder, ser eliminado ou não ter capacidade para bater os poderosos é uma coisa, mas ser sistematicamente goleado, demonstrar uma tremenda incapacidade para incomodar os outros e cometer erros atrás de erros - alguns dos quais verdadeiramente infantis - é outra. Muito pior, muito mais grave.

Não faço ideia se a mensagem do treinador não passa nestas partidas ou se são os jogadores que, por esta ou aquela razão, entram em campo psicologicamente afectados perante opositores de tanta valia. O que está à vista é que esta situação, recorrente, precisa de ser devidamente esmiuçada pelos responsáveis leoninos que, diga-se, também têm culpas no cartório, permitindo um sem número de confrontações internas ao longo dos tempos, passando uma imagem de liderança débil ou resolvendo anunciar o adeus (Filipe Soares Franco) quando a equipa estava, objectivamente, envolvida em várias frentes de batalha que pediam a concentração e o apoio de todos. Sim, de todos e não apenas dos sócios. Essa conversa de apelar à militância e à união... dos outros, chega a ter piada.

Mas sempre considerei que, independentemente do que se passa antes ou depois dos jogos, são os futebolistas, lá dentro, quem os ganha ou perde. Os treinadores, com as suas opções, também contribuem, mas são os jogadores quem, em primeira instância, "mexe" com os resultados. E assim sendo, tenho de referir que há vários atletas na formação leonina que não possuem estaleca para "andamentos" tão altos. Uns, porque já passou o melhor período das suas carreiras, outros porque ainda estão em fase de crescimento e outros ainda porque, ao contrário do que pensam, são apenas futebolistas de média qualidade. E esse estatuto, que serve para jogar em Portugal ou para fazer uns brilharetes aqui ou ali, não chega para a alta-roda.

A mesma explicação serve para Paulo Bento. Trata-se de um técnico competente, trabalhador e que ajudou o Sporting a estabilizar, mesmo sem muito dinheiro e contando apenas quase só com jovens e atletas dispensados por emblemas de maior nomeada. Contudo, parece óbvio que o seu ciclo em Alvalade está terminado. Fazer umas "flores" nas Taças de Portugal ou da Liga é bom, mas são os sucessos no Campeonato ou na Europa que o clube precisa e os adeptos sonham. E isso, embora reforce que é dificil fazer mais e melhor sem outros recursos, Paulo Bento não consegue, pese a histórica qualificação para os "oitavos" da "Champions" (se não fosse o dinheiro angariado com ela, diria que tinha sido melhor ficar pela fase de grupo...). E o problema não é ficar nos "oitavos", é a forma como lá ficou. Se a sua saída parecia provável, agora soa-me a inevitável. Ainda por cima, por muita razão que lhe assista, o treinador desgastou-se imenso ao longo dos tempos em "guerrilhas" com vários jogadores. E a equipa (e o clube) nada ganhou com isso. Bem pelo contrário. E se o Sporting precisa de outras ideias para lavar a almar, Bento necessita de outro emblema, de jogadores diferentes, para evoluir.

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