Versão futebolística dos "Morangos..."
A “novela Mateus”, tal como os eternos “Morangos com Açúcar”, parece não ter fim. Dia após dia sucedem-se as declarações, opiniões, contestações, dúvidas e esclarecimentos. Novos protagonistas ou os “cromos” do costume lá vão passando o tempo a dizer de sua justiça, indicando um ror de caminhos correctos para se fazer essa mesma justiça. Contudo, como sempre, as noções do que está certo e/ou errado variam consoante o orador. Enfim, em bom português, pode dizer-se que a palhaçada continua, ao mesmo tempo que o principal campeonato cá da terra arrancou coxo e só não vai ficar ainda mais manco porque, em nova decisão ponderada e equilibrada das entidades que regem o futebol internacional, os campeonatos param já no próximo fim-de-semana devido à realização de amigáveis e embates referentes à qualificação para o Europeu de 2008. Mas, sejamos realistas, nem tudo é mau. Há muito tempo que lá por fora não se dava tanta atenção à prova rainha do futebol luso. Nessa perspectiva, muito provavelmente, ainda vamos ouvir algum corajoso a solicitar a atribuição de um voto de louvor a todos os que, de forma directa ou indirecta, têm contribuído para este sucesso mediático. E, com um pouco de boa vontade, a proposta ainda é aprovada...
Entre o muito que li e ouvi nos últimos dias dediquei particular atenção aos depoimentos de Cunha e Leal e Valentim Loureiro. Não vou perder tempo a tentar perceber se tem mais razão o primeiro ou o segundo. Para mim, muito sucintamente, nem um, nem outro, deviam estar a importunar o Verão dos portugueses. Em vez do típico "sacudir a água do capote”, rejeitando a hipótese de assumir os seus próprios erros, distracções ou opções discutíveis, creio que ambos faziam um grande favor ao futebol português se optassem, quanto antes, por sair de cena. Isso mesmo. Entrem (ou continuem) de férias. Longe daqui.
Não sei se é cómico ou trágico assistir a tanta lavagem de roupa suja. O que sei é que, se Cunha Leal tem vastas razões de queixa de Valentim podia e devia bater com a porta. Dessa forma, pelo menos para mim, ganhava autoridade para falar de maneira descomplexada sobre tudo o que considera estar bem ou mal no seio da Liga. Agora, passar ao ataque, mantendo-se em funções e quando, imagine-se, goza um período de férias é, no mínimo, pouco lógico. Mesmo que não estivéssemos a viver a fase mais quente da “novela Mateus”, penso que esta era uma má época para Cunha Leal estar ausente. Afinal de contas, os dois principais campeonatos estavam no seu arranque. E mesmo que a nova equipa dirigente da Liga já estivesse em funções, a presença por perto dos antecessores podia e devia ser fulcral para o normal período de transição.
E já agora, deixo aqui uma dúvida. Cunha Leal garante ter avisado o Gil Vicente que a inscrição de Mateus era ilegal. Se assim foi, porque raio a Liga a aceitou? Não percebo como é que o angolano chegou a competir. Enfim, devo ser eu que anda distraído.
E Valentim Loureiro? É uma figura incontornável das últimas décadas do futebol nacional, como o foi Pimenta Machado e ainda é Pinto da Costa. Mas, existe tempo próprio e adequado para tudo. O Major devia ter percebido que, a partir do momento em que foi envolvido no processo do “Apito Dourado”, tinha esgotado a sua passagem pelo dirigismo desportivo. Mas, como sempre, fez questão de lutar contra tudo e contra todos. Pessoalmente, creio ter feito uma má opção, mas se constatarmos que ainda recentemente recebeu os votos da maioria dos clubes profissionais para permanecer na Liga, embora agora noutras funções, se calhar o homem até tem razão em se manter firme e hirto no seu “posto de combate”.
Bom, nesta embrulhada toda tenho pena é de Mateus e dos jovens dos escalões de formação do clube de Barcelos. O internacional angolano apenas quer poder ser profissional de futebol. E ser profissional, ao contrário do que muitos dizem, não é só ter direito a receber aquilo que está acordado no seu vínculo com o Gil Vicente, mas também poder alinhar ao fim-de-semana em representação do emblema que lhe paga. Hoje como ontem. Afinal de contas, o rapaz não fez mal a ninguém. Quanto aos miúdos, coitados… são os verdadeiros “mexilhões” da “novela”. Estão proibidos de jogar por algo que, seguramente, não entendem.
Aguardemos as cenas dos próximos episódios...
