Vídeo-Árbitro com mais adeptos

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Gosto demasiado de futebol para o ver mal tratado por pessoas sem escrúpulos, que gostam de utilizar todo o tipo de artimanhas para gerar superioridades, para além das valências desportivas e de gestão que se podem achar nos clubes e no espaço competitivo, as únicas que deveriam ser prevalecentes no resultado final e nos desequilíbrios gerados pelos antagonistas.

Sempre defendi que a arbitragem deveria ser, no desporto e particularmente no futebol, uma entidade quase invisível. Que existe e é importante mas deveria assumir apenas a função de fazer cumprir as leis do jogo. E quem tem, como é o caso da arbitragem, a obrigação de fazer cumprir as leis do jogo não pode estar integrada em organizações dominadas pelos clubes. Esse é o princípio da perda de independência e, quem não tem independência formal e financeira, não consegue fazer um exercício de regulação absolutamente isento, à imagem das contaminações clubísticas, cada vez mais acesas, designadamente com a colocação de diversos pontas-de-lança nos ‘corações da área’ dos (principais) debates televisivos…

Infelizmente, os árbitros não quiseram assumir esse halo de discrição, montados em cima de uma realidade organizativa que não apela a reformas estruturais, e quiseram-se colocar, em protagonismo, ao nível de jogadores e treinadores, esses sim as grandes alavancas do espectáculo chamado desporto-rei…

Quando as estruturas dominantes do futebol fomentaram o aparecimento do árbitro-vedeta, não fizeram outra coisa senão alimentar o recrudescimento do vedetismo na arbitragem. O princípio está subvertido. O profissionalismo não veio resolver o problema da (in)competência. E, como sempre, as discussões andam sempre à volta de quem consegue tirar partido, pela influência, desse poder inaudito que os árbitro de futebol têm na ‘resolução’ de um jogo de futebol. É uma pescadinha de rabo na boca. A irrevogabilidade das decisões das equipas de arbitragem, no futebol, corresponde a um dos maiores anacronismos que hoje vemos aplicados nas sociedades modernas. Apesar dos prejuízos e do muito ruído, há uma estranha apatia em redor do tema, talvez porque os clubes mais ricos e os que costumam deter o domínio desportivo nas diversas Ligas e Federações, acreditam ter o sector suficientemente controlado.

Bruno de Carvalho e o Sporting relançaram o tema da importância da introdução das novas tecnologias no futebol e em boa hora o fizeram porque a falta de condições de apoio aos árbitros, para as quais os ditos cujos são menos diligentes nas ameaças de greve, boicotes ou chantagenzinhas da ordem, não pode determinar que os prejuízos sejam brutais para os clubes e respectivas sociedades anónimas, como foi o caso do Benfica na final da Liga Europa com o Sevilha e no regresso do Sporting às lides da Liga dos Campeões, quer no frente-a-frente com o Schalke 04, quer mais recentemente no embate com os russos do CSKA.

Não se pode permitir que a arbitragem tenha a mão em cima dos cofres e determinar quem é valorizado, demitido ou vilipendiado. São milhões em jogo, são promoções e despromoções, são glorificações e condenações, tudo ao ritmo de nomeações muitas vezes sem explicação ou qualquer fundamentação lógica. E é bom verificar a mudança cirúrgica de opinião de um ex-dirigente ‘leonino’, que apanhado em contramão com a posição oficial do Sporting sobre a matéria teve a dignidade de fazer autocrítica, confessando que ‘não foi bonito da minha parte’ a negação dos factos, por causa da antipatia e da polémica gerada ‘com o jornalista que liderou a campanha sobre a necessidade das novas tecnologias na arbitragem do futebol”

 

Porque não creio em ódios nem vejo razões para antipatias, tenho esperança que o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, nos explique o seu silêncio sobre a matéria, depois de ter sido um apoiante activo, com presença na AR, do Movimento ‘pela Verdade Desportiva’. Não acredito naqueles que me dizem que isso teve a ver com o facto de o FC Porto ter ficado à frente do Benfica, na Liga Real, do Tempo Extra, na época passada. Seria demasiado redutor e colocaria Vieira no mesmo patamar daqueles que se satisfazem, simplesmente, com o controlo da arbitragem. É que, há 5 anos, era o FC Porto a dominar o sector…

NOTA - A CBF acaba de anunciar que vai pedir à FIFA a introdução da figura do vídeo-árbitro no Brasileirão, em 2016.

JARDIM DAS ESTRELAS ****

‘Regresso’ do Benfica

O Benfica regressou, ontem, aos grandes resultados e às grandes exibições, num momento particularmente sensível para Luís Filipe Vieira e para a ‘estrutura’. Mesmo perante um ‘Belenenses-versão-zero’, anémico e incapaz de ligar uma jogada perigosa, o ‘Benfica de Vitória’ fez um esforço importante no sentido de apagar a imagem de uma equipa em ‘perda de identidade’. Atirou-se ao jogo ‘com ganas’, para evitar angústias e finais de partidas em stress, e colheu cedo o produto da sua ambição. Aumentou a intensidade competitiva e, com ela, foi eficaz no ataque, soltando as suas unidades mais criativas (Gaitán e Jonas acima de todos as outras) e melhorando muito no processo (pressionante) da recuperação da bola. Com dois ‘miúdos’ no ‘onze’ (Nélson Semedo e, desta vez, Gonçalo Guedes) e com Talisca ‘recuperado’, o Benfica e Rui Vitória deram pela primeira vez sinais de que o ‘novo’ projecto desportivo é exequível. Um triunfo, num jogo de campeonato, não pode ser só por si sinónimo de sucesso conceptual, mas o reforço da confiança é muito importante no quadro dos jogos que se avizinham: a (re)entrada na Champions e a…visita ao Dragão. A nação benfiquista sossegou.

O CACTO

Selecção sem brilho

Ganhar na Albânia foi bom, mesmo que tenha sido nos instantes finais, mas é evidente que a Selecção Nacional apresenta sinais preocupantes de alguma vulgaridade. As ausências não explicam tudo. As “presenças-ausentes” de alguns jogadores que estiveram (?) em campo adensam a ideia de que é preciso (mais) ’sangue novo’ na ‘equipa das quinas’. Talvez fosse o momento de Fernando Santos e a FPF começarem a assumir a renovação. É preciso coragem para isso, na fase final do reinado de Cristiano Ronaldo.

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