Vieira em falso
O FC Porto-Benfica já começou a contagem decrescente. Apesar de o jogo só ser muito decisivo para o Benfica, o ambiente que foi sendo criado pela violência inaceitável nas idas dos encarnados ao Norte – convém também condenar os vidros partidos dos nortenhos no Sul… –, e por uma saraivada de erros de arbitragem num só jogo, colocou o presidente dos encarnados numa posição de fraqueza após dois movimentos em falso.
Mesmo que por interposta pessoa – o presidente da Assembleia Geral, verdadeiro número-um nos estatutos do clube –, Vieira fez um apelo contranatura à massa adepta e não foi seguido. Também lançou farpas para o dragão. Foi respondido ao nível do treinador. Depois destes remates falhados, o líder que conduziu o Benfica a uma nova dinâmica de sucesso deve refletir sobre os próximos passos a dar.
Talvez o silêncio que entregue o palco aos verdadeiros artistas seja a forma mais eficaz de abordar um jogo tão relevante como o que se avizinha no domínio do grande rival.
Duas lições ficam já para Vieira das últimas semanas, e ele é homem que aprende bem e depressa: a primeira é que, por mais poderoso que um homem se sinta, não deve nunca contrariar a natureza das massas. Sob pena de ficar sozinho. A massa adepta existe para estar presente nos estádios onde joga a sua equipa, ponto.
A segunda, não menos relevante, consiste na necessidade do presidente do Benfica ser tão claro e certeiro nos ataques que não possa ser respondido abaixo do nível hierárquico pelo rival. Ou se o for, que seja óbvio para todos a descida ao foro dos desaforos. O que não se tornou perceção quando Villas-Boas respondeu de forma eficaz a uma tomada de posição solene do clube da Luz.
Seria Jesus capaz de fazer papel idêntico face a Pinto da Costa?
