Vieira tem de tomar decisão
Mais um jogo do Benfica, mais uma partida sem ganhar. Depois de consumadas as despedidas na Taça de Portugal e na UEFA - diante Varzim e Espanyol, equipas com quem as águias tinham o dever de fazer mais e melhor -, agora é a Liga que está a voar da Luz. Ou melhor: já voou, pois só um autêntico milagre poderá fazer com que com o FC Porto desperdice tão significativa vantagem. Mas, mesmo que isso sucedesse, seria necessária nova intervenção divina para que fossem os encarnados a aproveitar e não o Sporting que, por agora, não só tem mais pontos que o vizinho e rival, como joga melhor e exibe outra capacidade, técnica, física ou psicológica.
No Benfica - tal como acontece com os outros grandes cá da terra -, uma temporada sem ganhar um troféu digno de realce é sinal de época falhada. E de pouco vale jogadores ou treinadores virem a público com conversa de ocasião. Quando um clube que entra em todas as competições para vencer não atinge os objectivos é preciso mudar algo. Em Portugal, e no Benfica concretamente, até se costuma proceder a mexidas de vulto quando surgem êxitos (vejam-se os últimos anos), quanto mais quando não existem galardões de nível para exibir...
Luís Filipe Vieira, numa altura em que ainda tudo eram sorrisos e esperança lá para as bandas da Luz, anunciou que Fernando Santos iria continuar na próxima época. Do ponto de vista da motivação, a "táctica" do presidente parecia boa. Era uma "jogada" para animar as hostes. Só que, semanas depois, essa promessa política parece ter sido uma tremenda "gaffe". O técnico não tem taças para mostrar; o seu discurso não convence; as decisões antes e durante os jogos deixam muito a desejar; o futebol apresentado é recheado de repelões e, mesmo que se tente esconder, é visível que vários jogadores "torcem o nariz" à liderança/gestão do Engenheiro. Mantorras foi o primeiro a pronunciar-se de forma aberta sobre o assunto, mas acredito que não será o último.
Mas, independentemente do pensamento dos jogadores - que são funcionários do clube e têm de acatar as decisões de quem manda -, os dirigentes não vão poder continuar a fingir que não ouvem a opinião popular. Fernando Santos foi recebido sem entusiasmo na Luz. Começou aos tropeções, mas lá conseguiu ganhar estofo para chegar a Março em condições de vencer o desafio da sua vida. Um mês infernal, contudo, estragou-lhe as contas. Os adeptos, claro, ficaram com todos os trunfos necessários para exigir mudanças. Vieira não dá mostras de estar para aí virado, pois nunca escondeu a admiração pelo cidadão Fernando Santos, mas também não pode perder o apoio dos sócios e simpatizantes. Assim sendo, o presidente tem de tomar, rapidamente, uma decisão. E medir bem os pratos da balança.
PS - Faltam 5 jogos para Derlei tentar marcar 1 golo pelo Benfica. Continuo a pensar que não o vai conseguir. Mas, se calhar, o brasileiro apenas está a tentar imitar o compatriota Marcel. O ex-Académica também chegou oficialmente emprestado, não festejou um único golo e acabou contratado. Para quem não sabe, agora faz parte do São Paulo. Não há notícias de que jogue muito. Nem de golos...
