Villas-Boas busca o palácio de sonho

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Villas-Boas busca o palácio de sonho
Villas-Boas busca o palácio de sonho

O Tottenham de André Villas-Boas é uma equipa deslumbrante, na qual impera harmonia entre o projeto de quem comanda e o talento, o compromisso e a inteligência de quem o põe a funcionar.

1 Os pragmáticos, para quem só ganhar importa, são indiferentes ao estilo e sorriem com desdém quando ouvem a palavra espetáculo. Entendem que o futebol é coisa de homens, que as regras nem sempre são para cumprir e tudo vale para atingir a vitória, único objetivo que dá sentido à vida. É verdade que, uma vez por outra, também se ganha chutando para a frente com fé em Deus; mas as equipas que acederam à história nunca jogaram assim.

O FC Porto 2010/11 e o Tottenham 2012/13 começam numa pergunta à qual André Villas-Boas deu resposta cabal: “Como jogamos; que ideia defendemos e que meios utilizamos?” Uma e outra equipas têm em comum o prazer da iniciativa, o culto da bola e do jogo posicional; exércitos que, tendo excelentes executantes, preferem resolver problemas em conjunto.

2 O esforço mexe com as emoções; o belo estimula a sensibilidade e os sentimentos que levam à criação de um estilo. Uma coisa é ter coragem para ir à luta, outra é o que o Tottenham fez com o Manchester United na derradeira meia hora: pegou na bola, encostou o adversário às cordas e procurou o golo sem parar, assumindo ataque organizado persistente, diversificado, imaginativo, com ações que foram massacrando o adversário.

Sendo a qualidade individual a base do futebol, nada se consegue sem a coordenação de todos os elementos em jogo. Por isso é fundamental a existência de um fio condutor, um projeto técnico e a cumplicidade generalizada para que todos se entreguem à defesa do bem comum. Só acreditando no líder e nas suas propostas os jogadores aceitam o rumo que lhes é dado.

3 Se no Chelsea encontrou uma equipa acomodada a regras que ela própria criou e desenvolveu, composta por quem julgava precisar apenas de um gestor amigo ou um irmão mais velho que não fizesse ondas, no Tottenham cruzou-se com um grupo composto por futebolistas dispostos a aceitar o sentido de orientação que lhes quisesse dar.

A identificação não está ainda tão depurada quanto aquela que estabeleceu no FC Porto, mas os spurs têm provado, desde que Villas-Boas chegou, que a ordem é apenas o ponto de partida para a expressão da criatividade. Ao contrário de outras equipas, que a utilizam como princípio, meio e fim do futebol que praticam, o Tottenham recusa-se a açaimar entusiasmo, liberdade, talento e aventura em nome de organização, disciplina, empenho e responsabilidade.

4 O treinador é um especialista dos jogadores que dirige. Deve conhecê-los, ensiná-los a jogar cada vez melhor e a tirar partido da sua qualidade e desejo de aprender. O Tottenham de André Villas-Boas é uma equipa deslumbrante, na qual impera harmonia entre o projeto de quem comanda e o talento, o compromisso e a inteligência de quem o põe a funcionar; entre a proposta do treinador e as referências ideológicas do clube, cujos defensores são os jogadores, pelo modo como respeitam a profissão e a história da camisola que envergam.

Se o futebol tem a força de vínculo sentimental que recorda a identidade da gente que representa, André Villas-Boas pode ter encontrado em White Hart Lane não uma cadeira à sua medida mas um palácio de sonho para os próximos anos de carreira que, bem vistas as coisas, ainda mal começou.

Todos os golos serão ao Sporting

Uns sentem-se vingados por contas antigas desfavoráveis, os outros são golpeados pelo sentimento de traição provocado pela deserção do herói feito carrasco. Liedson tem um passado que o coloca entre os melhores da história leonina e esse estatuto estará sempre presente no que fizer agora ao serviço dos dragões.

De pouco adiantará recordar que é jogador do FC Porto; que fará tudo em nome do sucesso da nova equipa; que vai pensar azul e branco e só será feliz com as vitórias portistas. Sabe ele e todos nós: cada golo que marcar será um punhal cravado no coração dos sportinguistas.

Oportunidade
que chega tarde

Nas atuais circunstâncias, o general do banco é obrigado a adaptar-se à realidade do clube e a refrear o ímpeto de ir contra ela em nome das suas próprias ideias. Na maioria dos casos aceita as regras e resiste ao impulso de alterá-las. Aos 66 anos, Jesualdo Ferreira tem a hipótese de, como nunca, impor as suas condições num grande clube.

Para já, em três jogos à frente do Sporting ganhou tanto como os três antecessores em 24. A oportunidade chega tarde mas o desafio é aliciante. Apesar das dificuldades leoninas, se querem saber a minha opinião, tem tudo para dar certo.

V. Guimarães
de Rui Vitória

O risco de manter objetivos desportivos desfalcando a equipa de unidades preponderantes é sempre muito elevado. No Vitória Sport Clube essa inevitabilidade aconteceu numa fase em que tudo podia ainda suceder na tabela classificativa.

Sabemos hoje que, sem essa mudança de paradigma, não teria sido possível reforçar o futebol português com três jovens de qualidade superior: Paulo Oliveira, Tiago Rodrigues e Marco Matias. O V. Guimarães é uma equipa notável e surpreendente que não tem apenas um dedo de Rui Vitória. Tem todo o seu talento, imaginação, trabalho e inteligência.

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