Vítor Pereira não vale nada...
Qual é a responsabilidade de Pinto da Costa quando – surpreendido pela “fuga” de André Villas-Boas para Inglaterra – deixou a equipa sob o comando (dócil e romântico) de Vítor Pereira? Pinto da Costa aguentou Vítor Pereira o mais que pôde e a presença do presidente do FC Porto, juntamente com Antero Henrique, no primeiro treino após a eliminação da Champions, aos pés do Málaga, é um sinal de que a “estrutura” entende o melindre da situação. Não é, em primeira análise, a questão contratual que interessa a Pinto da Costa e à SAD do FC Porto. O que interessa são as consequências imediatas do desaire em La Rosaleda. A renovação do contrato de Vítor Pereira não vale nada quando está em causa a renovação... do título. E ela pode passar pela resposta que a equipa consiga dar, já amanhã, no Funchal.
Perder Vítor Pereira só será visto no Dragão como algo próximo de um problema se o FC Porto não ganhar, amanhã, ao Marítimo. Porque agora que se volta a falar do treinador dos azuis e brancos, a cumprir segunda época com um registo modesto na Champions e nas competições europeias, nada é mais importante do que reabilitar a equipa para manter bem acesa a chama da revalidação do título.
Na época passada ficaram na memória as dificuldades havidas com o Apoel, de Nicósia. O FC Porto saiu da Champions pela porta pequena e a equipa voltou a sofrer um abalo na visita a Manchester para defrontar o City (Liga Europa). Um ano depois, o pecúlio até melhorou (o mesmo número de derrotas, 2, mas mais 3 vitórias). Fica o amargo de boca, não apenas pelo desfecho da eliminatória, mas sobretudo pela convicção de que o FC Porto é superior ao Málaga – e não foi mais além porque a abordagem ao jogo, estratégica e tacticamente, revelou-se errada, não havendo qualquer hipótese de absolver Vítor Pereira pelas opções que (não) fez...
As declarações de James, dizendo que estava em condições de jogar os 90 minutos, saíram fora do alcance da “torre de controlo” do Dragão e são um pormenor, mas ainda está por explicar a abdicação do argumento maior do FC Porto (posse de bola e capacidade de mando no jogo) e a gestão do jovem colombiano, Moutinho e a súbita exclusão de Izmailov. Quando uma equipa não joga de acordo com a sua natureza, arrisca-se a não se encontrar. Foi o que aconteceu ao FC Porto.
Há muito que defendemos a tese segundo a qual o FC Porto teria tanto êxito consoante fosse capaz de manter a integridade do meio-campo, com Fernando, Moutinho e Lucho. Bastou Moutinho lesionar-se e não jogar em Alvalade para a equipa perder o seu equilíbrio essencial. Faltam jogadores alternativos no meio-campo. E isso não corresponde a uma responsabilidade de Vítor Pereira.
Significa, portanto, que Pinto da Costa, apesar do seu tacto e conhecimento, também gosta de correr riscos...
JARDIM DAS ESTRELAS -Oscar Cardozo pois claro!
O Benfica é agora a única equipa portuguesa nas competições europeias e, ao sair-lhe o Newcastle no sorteio, estando já tão perto da final, não há forma de querer passar ao lado da Liga Europa. Em Bordéus, o Benfica mostrou a importância de ter jogadores que são capazes de estabelecer a diferença, do meio-campo para a frente. Jorge Jesus guardou Lima e Cardozo (até ao limite do razoável), e quando a equipa oscilou atrás, sem surpresa, o paraguaio saltou do banco para resolver a eliminatória a favor dos encarnados. Cardozo foi a cereja no topo do bolo... da gestão de Jorge Jesus. “Chapeau”!
O CACTO - SOS Selecção
Paulo Bento deu a conhecer os convocados para a dupla jornada Israel/Azerbaijão e, tirando as habituais embirrações do seleccionador, começa a ficar cada vez mais claro aquilo que vínhamos sublinhando desde os tempos de Scolari: a FPF deixou enfeitiçar-se pelo carisma do Sargentão e não fez, quando devia, a sementeira para mais 15 anos de futebol português. A Selecção ainda consegue constituir um onze de alguma qualidade (como se viu no Europeu), mas desta convocatória restam cerca de 65% de atletas que estiveram naquela competição da UEFA e nela entram agora jogadores que têm um longo caminho pela frente. Quer dizer: estamos a perder valor...
TEMPO EXTRA - Exame leonino
Na última semana da campanha eleitoral à presidência do Sporting, os três candidatos (Carlos Severino, Bruno de Carvalho e José Couceiro) vão jogar os seus últimos trunfos, com dois debates televisivos que serão cruciais para os indecisos.
A campanha não tem sido particularmente empolgante, e também se percebe porquê: os sócios do Sporting têm sido massacrados com promessas e “soundbytes” que não tiveram nenhuma consequência positiva. Aliás, só um louco aventureirista seria capaz, neste momento, de prometer alguma coisa que não está ao alcance – sejamos realistas – dos três candidatos, não obstante a boa vontade que normalmente os norteia.
As campanhas eleitorais são quase sempre animadas com o reforço da equipa de futebol. Pagar salários (menores) e eliminar os efeitos de uma gestão desportiva criminosa constituem desafios suficientes para o próximo presidente... suar as estopinhas.
