Votos de mudança?

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Votos de mudança?

Fernando Gomes ou Carlos Marta? Esta semana vamos ficar a saber qual dos dois será o novo superministro do futebol português. As eleições da Federação Portuguesa de Futebol surgem numa altura decisiva e ao novo presidente exige-se independência, rigor e capacidade de resposta aos vários problemas que terá em cima da mesa.

Mergulhada numa crise profunda, a FPF terá de mudar todo o seu modelo de gestão interna, e só alguém com conhecimento profundo do fenómeno desportivo poderá inverter esta trajetória dantesca, colocando ao serviço dos associados uma entidade rápida e capaz de enfrentar as exigências atuais.

A nova direção da FPF não pode ser composta por gente que salta de poleiro em poleiro, subserviente aos lóbis instalados, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos. É um problema complexo, que se arrastou até aqui, com a estrutura federativa a ser liderada por responsáveis cansados, sem ambição e em permanente stresse traumático, agindo como funcionários que estão fartos de funcionar.

Tenho grandes dúvidas que a “porcaria” e o “amadorismo” de que Carlos Queiroz falou há tempos venham a ser totalmente erradicados da Federação. É necessária uma filosofia de modernidade e um sistema livre de influências, políticas ou económicas, com pessoas idóneas e obrigatoriamente isentas de segredos. Caso contrário, os escolhidos só serão ali colocados para estarem ao serviço de outros interesses.

Do novo presidente da FPF e respetivos órgãos sociais, que com os novos estatutos terão mais poderes do que nunca, espera-se que possam libertar a instituição do colete em que se deixou envolver e passem a atuar de forma transparente e com absoluta independência. Um dos caminhos será a aplicação de regras claras que tragam maior celeridade e isenção a todos os processos de justiça desportiva. Os órgãos de disciplina devem ser independentes e imunes a quaisquer interesses e, neste âmbito, é vital a criação de um tribunal desportivo.

A arbitragem é outra das matérias “quentes”. A profissionalização dos árbitros tantas vezes anunciada, mas nunca concretizada, seria uma etapa importante para a melhoria de qualidade das suas atuações. Além disso, penso que a arbitragem deveria ser estruturada em carreiras distintas, criando um corpo autónomo, formado e avaliado por comités de técnicos de árbitros, designados por entidades idóneas, em secções diferenciadas, quer nas federações quer nas associações.

Por outro lado, todo o processo de recrutamento e evolução dos árbitros nas sucessivas categorias, desde as camadas mais jovens até à primeira categoria, também deve ser repensado. Até agora os critérios nunca foram transparentes, a fiscalização é discutível e nem sempre são os melhores juízes a chegar ao topo.

A preservação do jogador português é outro desígnio essencial. Há que criar mecanismos que abram maior espaço competitivo aos atletas nacionais nos campeonatos profissionais. O regresso das equipas B, como se espera, pode facilitar o desenvolvimento dos jogadores mais jovens. Por outro lado, a execução do imperativo projeto da Casa das Seleções pode beneficiar também esta missiva.

O novo líder da FPF terá ainda de resolver um problema gravíssimo: a violência dentro e fora dos estádios. É uma questão que necessita de medidas urgentes para se punir e banir os infratores. A situação atual, absolutamente inaceitável, só contribui para afastar os adeptos dos estádios. A continuar tudo como está, ainda acaba por haver mortes.

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