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A verdadeira derrota

Ontem o Benfica perdeu, ou melhor, Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus perderam. Perderam devido às suas próprias inseguranças, porque para lá de serem profissionais tecnicamente competentes e com provas dadas, são Homens. Inseguranças que não lhes permitiram lembrar-se da regra mais simples e importante de qualquer instituição, isto é, a regra que diz que a instituição está sempre em primeiro lugar.

Sem essas inseguranças, o que poderia ter acontecido para se evitar esta "derrota"? Antes de mais, não se teria investido no plantel como se investiu, excetuando Vertonghen (custo 0 ainda que com salário elevado) enquanto reforço necessário e talvez Waldschmidt (15 milhões por um jovem que está já na seleção A da Alemanha) enquanto oportunidade de negócio. Ou seja, não acredito que equipa de ontem tivesse tido uma prestação muito diferente se em vez de Everton (20 milhões) tivesse jogado Cervi, em vez de Pedrinho (20 milhões) tivesse jogado Rafa e no banco não tivesse Darwin (25 milhões) como alternativa a Cavani (milhões a mais para se poder entender) que felizmente, digo eu, recusou assinar pelo Benfica.

No entanto, aconteceu o que aconteceu, na ânsia de não perder as próximas eleições, o presidente geriu mal o seu clube, tanto por investir como nunca numa altura em que devido ao Covid-19 se aconselha contenção (não só pelas bancadas vazias por tempo indeterminado como ainda pela possibilidade do futebol poder parar outra vez durante o Inverno), tanto porque a acontecer um investimento avultado este só deveria ter lugar com o assegurar dos (pelo menos 40) milhões da Champions League ou após a venda/colocação de jogadores que, enquanto principais ativos do clube, poderão agora facilmente perder valor, ou por ficarem "no banco" ou por terem que ser colocados à pressa noutros clubes, uma vez que existem em excesso no plantel.

JJ, claro está, foi o segundo grande derrotado da noite. Perdeu porque na ânsia de ganhar rapidamente na Europa, perdeu o discernimento, tanto para identificar quais as contratações que o Benfica realmente precisava de fazer, enquanto empresa, como para entender que as suas qualidades enquanto treinador mais evidentes serão quanto menor for o investimento feito na equipa. Ou seja, a "derrota" de ontem poderia ter sido evitada se com praticamente a mesma equipa do ano passado, somente mais Vertonghen, o Benfica tivesse obtido um resultado negativo mas mostrado aos seus sócios que estava no caminho certo, quer em termos de gestão quer em termos desportivos: 1) conseguindo tirar um maior rendimento dos seus jogadores, jogando bem, ao ataque e com pressão alta, mesmo sabendo que este tipo de jogo ambicioso, ou "à Benfica", é difícil de implementar, principalmente no inicio da época devido ao fator físico e 2) usando a liga Europa, enquanto plano B, para atingir o sucesso de forma sustentada, ou a médio prazo, tal como aconteceu por exemplo com o Porto de Mourinho.

JJ no final do jogo disse que "o futebol é isto", no entanto, a meu ver, a verdadeira derrota teve a que ver com tudo menos futebol.

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