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Benfica tricampeão 39 anos depois

Poder-se-á dizer que a conquista do 35º campeonato nacional por parte do Benfica foi fruto de muito "sangue, suor e lágrimas", invocando uma expressão bem típica de quem consegue alcançar alguma coisa a muito custo, uma vez que somente na última jornada se decidiu o campeão. Os "três grandes" seriam sempre os crónicos candidatos a vencer o campeonato; porém, como o Sporting havia contratado o grande obreiro do bicampeonato por parte do Benfica, e alguns bons jogadores, existiu sempre uma grande euforia no reino do "leão", sendo que a maioria dos sportinguistas estavam convictos de que este seria o ano em que o Sporting se sagraria campeão nacional depois de um longo interregno.

Contudo, tal não aconteceu e o Benfica soube sempre ser a equipa mais regular durante todo o campeonato, apesar de Jorge Jesus ter referido à boca cheia que a sua equipa foi a que apresentou melhor futebol e, como tal, merecia ser ela mesmo campeã. O Benfica, esse, assegurou o triunfo no campeonato a partir do momento em que venceu o Sporting em Alvalade, uma vez que a partir daí passou para a liderança e nunca mais de lá saiu.

Apesar das "farpas" de Jorge Jesus a Rui Vitória, o técnico dos encarnados soube sempre manter a calma e o sangue frio e nunca respondera a Jesus com a mesma veemência com que fizera o seu colega de profissão. Rui Vitória manteve sempre uma postura digna para com Jorge Jesus, até mesmo depois de ter sido consagrado com o tricampeonato, e poder-se-á mesmo dizer que o treinador do Benfica se pautou sempre pela sensatez e serenidade, qualidades que fizeram dele um homem vitorioso.

Eu nunca ouvira dizer da boca de Rui Vitória, mesmo quando o Benfica saltou para a liderança, que o Benfica iria ser campeão, ou seja, o treinador do Benfica foi sempre dizendo que a vitória alcançada fora mais uma final ganha; que nada estava ganho e que a sua equipa iria jogar pensando jogo a jogo. Assim foi Rui Vitória. E é no discurso que se revelam os vitoriosos e os grandes campeões. Portanto, poder-se-á dizer que uma boa percentagem de sucesso do tricampeonato do Benfica deveu-se, e sejamos realistas, ao trabalho sério e competente de Rui Vitória.

No entanto, seria tremendamente injusto não referir o papel do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, peça basilar na direcção de toda a equipa. Evidentemente, que não se fazem omeletes sem ovos e o treinador do Benfica soube valorizar, e bem, o plantel do Benfica, apostando na formação e arriscando na inclusão de jovens jogadores já na parte final do campeonato, como foram os casos do central Lindelöf, do médio promissor português Renato Sanches e ainda do guarda-redes Ederson. A tudo isso juntou-se a veia goleadora de Jonas, melhor marcador do Benfica, com 32 tentos, e melhor marcador do campeonato, polvilhado com a genialidade de Nico Gaitán, que no derradeiro e decisivo jogo fez uma exibição de encher o olho, marcando dois golos.

O Benfica foi campeão, porque foi a equipa mais regular e, apesar de ter perdido os dois embates frente ao FC Porto e um frente ao Sporting no seu reduto, contabilizou apenas um empate, enquanto que o Sporting contabilizou cinco empates, muitos deles em casa, e isso foi-lhe fatal. Por tudo isso, só me resta dar os parabéns à instituição do Benfica, desde presidente, treinador, jogadores e a todo o "staff", independentemente da minha cor clubista.

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