Corte e Ruptura

Gerard Piqué não é novo nestas andanças onde o futebol tem ligações fortes e polémicas com o mundo da política. É uma das caras que defende a independência da Catalunha e já tem episódios onde deixa bem vincado a sua descendência seja a pedir que lhe sejam colocadas as questões em castelhano nas conferências de imprensa (como quando fizeram perguntas a Sergio Ramos em andaluz) ou a festejar de modo muito próprio alguns golos importantes.

No último jogo da Roja Piqué voltou a aparecer nesse misto de futebol e politiquices. O central do Barcelona vinha com uma camisola onde as mangas vinham cortadas e assim não apresentava as cores da Espanha como os seus colegas. Defendeu-se no final afirmando que cortou uma camisola de manga comprida porque se sentia desajustado com a outra, mas o gesto foi visto como mais uma afronta ao país, vindo de um dos jogadores mais importantes da Selecção. Um corte de mangas na camisola virou um corte mais fundo visto que, sendo apontado com tais acusações, Piqué mostrou-se farto da perseguição e afirmou que abandonará a Roja no final do Mundial de 2018.

"Sempre vim à seleção empenhado. É verdade que há pessoas que gostam de me ver na seleção espanhola, mas também é verdade que há outras que não pensam dessa maneira". Se no encontro com a Itália Sergio Ramos se queixava que era perseguido pelos árbitros após ter feito um penálti, o que dizer de Piqué que parece ser sempre questionado quando o assunto Catalunha é lançado nas quatro linhas.

É sempre complicado quando a política se envolve no futebol e para a selecção espanhola isso é claramente um entrave. Com tantas "facções" e pedidos de independência há talentos que se podem perder e que tanto jeito dão e darão a Espanha nos próximos anos. Catalães, bascos, andaluzes ... com este "avanço" de Piqué muitos espanhóis só esperam que isto seja apenas desabafo de um central explosivo na arte da palavra. Acredito que nestas ocasiões a Federação tem que vir dar uma palavra de apoio ao jogador e apaziguar as hostes com os media para controlar a situação. Piqué é importante na Roja e merece esse trato como o seu parceiro de zona central.

Até ao Mundial de 2018 Piqué ainda vai vestir certamente muitas vezes a camisola da Espanha, resta saber se ainda vai ser protagonista de mais alguns episódios pró-Catalunha e incendiar mais debates onde a política está de mão dada com o futebol.

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