Epílogo inglório

Depois de, na semana passada, aos 38 anos de idade, o maestro Andrea Pirlo ter abdicado da batuta que o metamorfoseou no apogeu da arquitetura futebolística, ontem foi a vez de Gianluigi Buffon Masocco colocar um ponto final na sua ligação à "Squadra Azzurra".

A seleção italiana necessitava de uma vitória por 2 golos de diferença sobre a Suécia para garantir uma vaga na Rússia e fez de tudo para a conseguir.

Os comandados de Giampiero Ventura massacraram a formação orientada por Janne Andersson mas, para infortúnio da tetracampeã mundial, a bola não quis entrar e, após o derradeiro apito de Mateu Lahoz, foram os "Blagult" a festejar.

Desde 1958 que a Itália não falhava a participação na fase final de um Campeonato do Mundo (curiosamente, esse torneio foi disputado em solo sueco, com o conjunto anfitrião da prova a perder por 5-2 para o Brasil no jogo decisivo, naquela que foi a primeira ‘copa’ ganha por Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé) e, praticamente decorridas 6 décadas desse fracasso, isso voltou a acontecer.

Uma despedida sem imortalidade para o guarda-redes mais caro da História do futebol (a 03 de Julho de 2001, a Juventus resgatou-o ao Parma pela astronómica quantia de, aproximadamente, 53 milhões de euros), dado que a sua última partida pela seleção correspondeu a uma não classificação para o Mundial do próximo ano.

Iker Casillas, outro ‘monstro’ consagrado entre os postes, através do Twitter, reagiu de pronto a este enternecedor anúncio, afirmando: "Não gosto nada de te ver assim! Quero ver-te como até agora, tal como continuas a ser para muitos: uma LENDA. Orgulhoso por te conhecer e por te ter defrontado muitas vezes. Ainda tens que nos deleitar no futebol, amigo!".

As novidades com triste conotação não se ficam por aqui e, além do guardião titularíssimo do atual hexacampeão italiano, também Daniele De Rossi (capitão da Roma) e Andrea Barzagli (um dos defesas mais experientes da Serie A) disseram "arrivederci", deixando a seleção italiana sem qualquer elemento daqueles 23 que conquistaram o Mundo do Desporto Rei em 2006, na Alemanha.

Não obstante, apesar de toda esta atmosfera dramática que se gerou por Milão, uma das capitais da moda, a noite até começou com um soberbo testemunho do caráter de excelência do dono das redes transalpinas: No momento em que se entoou o hino da Suécia, ao contrário dos assobios e apupos (perfeitamente audíveis) de um Giuseppe Meazza repleto, o número 1 italiano preferiu aplaudir o cântico da turma nórdica, demonstrando uma atitude louvável de absoluto respeito pela nação azul e amarela.

A realidade é que, quase a completar 40 anos de existência (nasceu em Carrara, a 28 de Janeiro de 1978) e com 175 internacionalizações contabilizadas, Buffon (que já revelou abandonar os relvados no término da presente temporada, caso não vença o tão ambicionado ‘caneco’ da Champions) achou que esta é a altura exata de entregar as luvas da responsabilidade a outro Gigi. E se o sucessor Donnarumma vier a comprovar todo o potencial que teoricamente reúne, Itália tem a sua baliza totalmente assegurada com suprema qualidade para mais duas décadas.

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