Erro grosseiro

Na actualidade muita gente defende os meios audiovisuais como meio complementar ao setor de arbitragem. Não podia estar mais de acordo. É certo que a arbitragem está a passar por uma fase de regeneração em que aparecem muitos árbitros novos e precisam de tempo para ganhar experiência.

Mas temos o exemplo da nossa selecção. Há quanto tempo é que não aparece um jogador de classe para integrar a equipa? Desde Ronaldo praticamente. Temos agora alguns a aparecer (Bernardo Silva, William Carvalho, Nelson Semedo, Ruben, Renato, entre outros) mas estivemos anos a penar. Não é só porque se quer que aparecem jogadores de topo. Como os árbitros não são fabricados. Tem de crescer e evoluir. Mas isto só por si abre muitos outros capítulos que seriam interessantes de analisar e discutir. O Sr. Rui Santos faz disto um cavalo de batalha mas gostava que me respondessem a uma questão fundamental.

Quem vai decidir o que é erro grosseiro e pode ser decidido com o apoio das imagens?

No final dos jogos é muito fácil dizer que este lance ou aquele era facilmente evitado. Mas e o agarrão do Ruiz ao Luisão por exemplo? E o lance do V. Guimarães - Sporting no último minuto? É grosseiro? Serve para justificar umas coisas e outras não. Quem decide na hora o que é grosseiro e não é? No fim do jogo sentado a comentar é muito fácil.
O lance do Sporting-Tondela que foi evidente para toda a gente, menos para o Sporting e para os seus dirigentes, se fosse analisado por uma pessoa afeta ao Sporting como seria decidido? Isto apenas ia transferir a critica ao árbitro para a pessoa que fizer as análises dos lances. O Sporting com ou sem erro do árbitro tinha obrigação de ganhar ao Tondela. Esta é que é a verdade que foi camuflada com a permissão de toda a gente. Como o Porto ao Arouca tinha obrigação de ganhar apesar de erros.

O caso Slimani por exemplo que indignava as pessoas afetas ao Sporting se ele não jogasse contra o Benfica. O Slimani não jogou contra o Tondela, contra o Rio Ave, contra o Guimarães? Como ficaram esses jogos? Quer-se reduzir tudo à arbitragem e branquear estas situações.

Temos de aceitar de uma vez por todas que os árbitros erram como erra qualquer interveniente no espetáculo.
Perdoam-se penáltis falhados, substituições mal feitas, jogadores que perdem a cabeça ou fazem teatro, treinadores que congelam no banco, mas ao árbitro não se perdoa nada. Chega-se ao cúmulo de criticar um árbitro por não ter marcado uma falta um minuto antes que depois de vários desenlaces deu golo.

Às vezes favorece, outras vezes prejudica mas no final o saldo dos grandes é sempre positivo.

Devemos discutir mais futebol, mais a qualidade dos jogadores, as tácticas, as jogadas, os artistas, o que se fez ou podia ter feito e parar com esta perseguição. A comissão de disciplina ou outro membro regulador não devia permitir este clima. Várias declarações deveriam ser punidas com multas pesadas. As pessoas deviam ser castigadas e caso não respeitem banidas do futebol. Assim as pessoas pensavam melhor antes de certas afirmações que em nada ajudam.

Para muito também contribuem os programas televisivos que passam 5/10 minutos a fazer uma análise de um lance discutível e em que um acha que sim, o outro já acha que não dependendo da cor da camisola. E discutir de futebol e do que realmente interessa nada. Condeno os jornalistas por apresentarem temas tão pobres nas condutas dos seus programas.

Vamos aproveitar o discurso do Sr. Duarte Gomes que muito apreciei e mudar de uma vez este paradigma.

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.