Euro Sub-17: Os pequenos campeões

• Foto: Lusa

Já está! Treze anos depois, Portugal volta a ser Campeão Europeu no escalão de sub-17.

Isto, só por si, já seria notícia. E das boas, para o futebol português.

Mas olhando para estes miúdos, o título europeu acaba por ser uma notícia quase secundária.

Porquê? Simples. Há muito potencial no nosso futebol. Depois do segundo lugar no Mundial sub-20 em 2011, no Euro sub-19 e no Euro sub-21 no ano passado, esta vitória é mais um grande passo em direcção ao futuro brilhante que já há um par de anos se adivinha para as nossas selecções.

Claro, o caminho é longo para estes jovens campeões. Há muito trabalho, muita dedicação e muitos sacrifícios pela frente. Acima de tudo, é importante que saibam manter os pés no chão, que consigam resistir aos Manchesters, Reais Madrid, Barcelonas e etc., que certamente irão aparecer depois desta excelente participação portuguesa.

É importante manterem-se nos seus clubes, que os conhecem e que saberão tirar deles o máximo do seu potencial. Muitos destes jogadores passarão, provavelmente, na próxima época, para as equipas B, e aí a exigência será maior. Mas qualidade e potencial há. E não é pouco.

Análise dos jogadores mais utilizados neste Europeu

Diogo Costa: pouco mostrou o jovem guarda-redes do FC Porto, já que passou grande parte do Campeonato da Europa como espectador. Mas respondeu muito bem quando foi chamado. Pouco se percebeu das suas qualidades entre os postes, mas mostrou características de Guarda-Redes de equipa grande. Sempre muito concentrado, rápido a sair da baliza, a responder a bolas nas costas da defesa, muito seguro a sair aos cruzamentos. Esteve nos juniores do Porto, e ainda com 16 anos, é provável que por lá continue esta época.

Diogo Dalot: uma das figuras desta selecção. Lateral com muita qualidade técnica, excelente projecção ofensiva e consistente a defender. Marcou dois golos muito importantes (o 2-0 frente à Holanda, na meia-final e o golo português na final, frente à Espanha). Tem potencial para ser um grande lateral direito no futuro. Deve continuar, para já, nos juniores do Porto.

Diogo Querós: capitão da selecção, jovem muito sereno, transmite grande confiança a defesa. Fez com outro Diogo (Leite) uma excelente dupla de centrais. À semelhança dos outros dois Diogos, deve fazer pelo menos mais uma época na equipa de juniores.

Diogo Leite: na minha opinião, o melhor da defesa portuguesa. Central fino, com classe, raramente recorre à falta. Forte no jogo aéreo, dificilmente batido no um-para-um. Jogador na linha dos grandes centrais Maldini, Ayala ou Fernando Couto. Apesar de ainda ter 17 anos, tem capacidade para saltar já para a equipa B dos dragões.

Rúben Vinagre: o "elo mais fraco" da defesa nacional. Não por não ter qualidade, porque a tem, mas por ser o jogador com mais dificuldades em termos defensivos. Em termos ofensivos destaca-se, pela excelente técnica e velocidade. Está nos juniores do Mónaco.

Florentino: para mim, o jogador mais completo desta selecção. Muito eficaz no desarme, forte fisicamente, anda pelo meio-campo em pézinhos de veludo. Rouba muitas bolas, e após a recuperação, levanta a cabeça e joga fácil. Não inventa. Foi muito importante neste Euro. Potencial para chegar à equipa B do Benfica já na próxima época.

Gedson Fernandes: um box-to-box. Muito importante no equilíbrio defensivo da equipa, jogando muitas vezes ao lado de Florentino. Excelente técnica, boa meia-distância, é muito forte no transporte da bola, empurrando muitas vezes a equipa para a frente. Ainda esteve nos juvenis, subirá aos juniores do Benfica esta época.

Domingos Quina: um dos jogadores tecnicamente mais evoluídos da equipa portuguesa. Transporta muito bem a equipa para a frente, saindo facilmente de situações apertadas. Peca, no entanto, por excesso de individualismo. Utiliza o passe, na maior parte das vezes, apenas como último recurso, quando na sua posição deveria ser ao contrário. Ainda com 16 anos, joga nos juvenis do West Ham, em Inglaterra, e já passou pelo Benfica e pelo Chelsea.

Miguel Luís: começou como titular, na vitória sobre o Azerbeijão, mas perdeu a titularidade para Domingos Quina. Ao contrário do número 10 da selecção, faz da qualidade de passe a sua melhor característica, embora não tenha tanta capacidade para transportar jogo. Joga nos juniores do Sporting.

João Filipe: provavelmente o jogador mais criativo deste Euro. Com uma qualidade técnica extraordinária, é um pequeno génio. No entanto, à semelhança do que acontece com Domingos Quina, perde-se muitas vezes sozinho com a bola. Perde muitas vezes nos duelos físicos. Tenta sempre resolver sozinho, e mesmo quando ultrapassa 3/4 jogadores adversários, decide-se quase sempre pelo remate à baliza, onde não é particularmente forte. Precisa de crescer fisicamente e colectivamente. Se o fizer, tem potencial para ser um dos melhores do Mundo. Esteve nos juniores do Benfica, pode subir à equipa B na próxima época.

Mesaque Dju: o oposto de João Filipe. Não sendo tecnicamente tão evoluído, é rápido e forte defensivamente. Apoia muito o lateral, e fecha bem na zona central. Um jogador muito importante colectivamente. 17 anos, vai subir aos juniores encarnados na próxima temporada.

José Gomes: a maior figura desta selecção, sobretudo pelos golos que fez. Foi o melhor marcador do torneio (7 golos). Avançado forte fisicamente, rápido e com qualidade técnica. Joga bem de costas para a baliza, segura bem e baixa bem no campo para vir buscar jogo. Finaliza bem, tanto de cabeça, como com os dois pés. É um dos 3 desta equipa (juntamente com Diogo Dalot e Florentino) com mais capacidade para ter, desde já, um lugar nas equipas B dos respectivos clubes. Fez mais de 30 golos nos juniores do Benfica e, até pelas palavras de Nuno Gomes, será aposta de futuro dos encarnados.

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