Futebol de costas voltadas para o espírito olímpico

Os Jogos Olímpicos são o maior evento desportivo do planeta.

Através do desporto e pelo espírito dos desportistas, celebra-se a união entre os continentes, entre os países, entre as pessoas.

Numa era em que os valores se vão perdendo de forma acentuada, o desporto é um dos maiores pilares de resistência e afirmação da união saudável entre os povos.

Infelizmente, o topo do mundo do futebol não pensa assim.

O futebol parece ser cada vez menos um desporto. Antes um gigantesco meio de lavagem de dinheiro com origem duvidosa, opaca, obscura. E tudo aquilo que mexe com muito dinheiro atrai ganância, subverte valores.

Por outro lado, o interesse dos grandes clubes de futebol aparece acima do interesse do país que representam, do desporto que servem e de onde extraem o seu lucro.

O futebol é cada vez mais um negócio sem valores que o guiam, sem premissas que obriguem os seus agentes a assumir responsabilidades e contribuir para a grande festa mundial do desporto, para o unificador e pacificador espírito olímpico.

Portugal é campeão europeu de futebol e com o título ganhou também o dever e a honra de representar o seu continente cada vez que jogue. Acresce sermos vice-campeões da Europa de sub-21 e campeões da Europa de sub-17.

Para completar o fantástico panorama do futebol português, temos o melhor jogador do mundo em três variantes de futebol masculino: futebol de onze (Cristiano Ronaldo), futsal (Ricardinho) e futebol de praia (Madjer).

A responsabilidade é grande, assim como o orgulho que temos nas nossas selecções e nos nossos melhores do mundo.

A oportunidade de sermos campeões olímpicos de futebol nunca esteve tão perto!

A qualificação foi um grande objectivo, tendo sido festejada com entusiasmo há cerca de um ano atrás. Para alimentar essa crença, destaque para a goleada da nossa selecção olímpica sobre o México, campeão olímpico em 2012, por 4-0.

O problema é que, no futebol, os clubes podem impedir a participação dos seus jogadores para os Jogos Olímpicos.

Aberrante, não é? Se assim fosse com as outras modalidades, o que seriam os Jogos?

Lá está, é um negócio, não um desporto. Infelizmente o espírito olímpico não entra em muitos clubes de futebol profissional e muito menos no órgão máximo que o gere.

Rui Jorge, o nosso seleccionador olímpico, teve uma enorme dificuldade em escolher dezoito jogadores.

Quando os anunciou, só tinha dezassete, houve um clube que negou a presença de um jogador poucos minutos antes do anúncio da convocatória. Surreal.

Poderíamos ter no Rio jogadores como José Sá, João Cancelo, Nelson Semedo, Ricardo Pereira, Raphael Guerreiro, Rafa Soares, Ruben Semedo, Ruben Vezo, William Carvalho, Ruben Neves, André Gomes, Renato Sanches, João Mário, Diogo Jota, Rony Lopes, Bernardo Silva, Rafa Silva, Gélson Martins, Iuri Medeiros, Ivan Cavaleiro, Bruma, Gonçalo Guedes, André Silva, Ricardo Horta, Hélder Costa ou Lucas João.

Nenhum destes jogadores vai aos Jogos Olímpicos.

É inegável que os convocados têm muita qualidade, já deram provas disso e farão com certeza o melhor possível para representar Portugal, mesmo se defrontarem selecções que encontraram soluções para levar os Jogos Olímpicos a sério, como o Brasil, que entre outros convocou Neymar e Douglas Costa.

Objectivamente, será complicado vencer o torneio olímpico, algo que seria bem possível se todos os países levassem os seus melhores jogadores elegíveis.

Enfrentaremos a Argentina no primeiro jogo, também algo desfalcada, e depois a Argélia e as Honduras, selecções que se encontrarão na máxima força.

Será difícil uma medalha, mas acredito muito no valor dos jogadores e da equipa técnica. Mesmo com armas de menor calibre ao dispor, decerto tudo irão fazer para superar e fazer esquecer a última prestação nos Jogos Olímpicos de 2004 em Atenas.

Mas não há que temer, há que ter fé.

O Brasil tem o Neymar, nós temos o Salvador.

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