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O futebol voltou, mas a sua essência ainda não

Dia 16 de maio de 2020. O dia em que um dos grandes campeonatos europeus recomeçou: a liga alemã. Logo a abrir tivemos um Borussia Dortmund X Schalke 04, o Revierderby. A vitória foi da equipa da casa por uns claros 4-0, com dois golos marcados pelo internacional português Raphael Guerreiro. Também nesta jornada, o Bayern de Munique venceu fora o Union de Berlin por 2-0, com golos de Lewandowski e Pavard. Destaque ainda para o golo de André Silva na derrota caseira do Eintracht Frankfurt diante do Borussia Monchengladbach por 3-1. Outro dos candidatos ao título, o RB Leipzig, empatou frente ao Freiburg por 1-1. Desta forma, a equipa de Julian Nagelsmann ficou a 7 pontos do líder Bayern. A jornada 26 da Bundesliga encerra-se na segunda com o jogo entre o Werder Bremen e o Bayer Leverkusen.

Mas voltando ao jogo do Signal Iduna Park, dois meses depois da paragem, tudo mudou. Desde logo, não havia adeptos num dos estádios mais emblemáticos da Europa. Os jogadores entraram um a um, não houve cumprimentos e todos os elementos do banco de suplentes estavam de máscara e separados por uma distância de segurança. Se olharmos para o lado positivo, voltámos a ver 11 jogadores de cada lado, 4 árbitros e uma bola. Contudo, o ambiente habitual naquele estádio não estava lá, pois os milhares de adeptos que costumavam estar na tão conhecida "Parede Amarela" não estavam lá. Os jogadores do Dortmund ainda se deslocaram ao topo sul do estádio e "festejaram" com os seus adeptos, mas o silêncio devia ser mesmo ensurdecedor. Uma forma de contrariar poderia ser, tal como chegou a ser falado, colocar cânticos dos adeptos nas colunas dos estádios. Uma medida que creio que seria bem vista, tanto por jogadores, como pelos próprios adeptos nas suas casas. Seria o recordar de tempos que agora parecem bem distantes.

No dia 4 de junho, a Liga NOS também irá regressar. A essência do futebol é que ficou para depois. Os momentos antes dos jogos passados nas roulottes, as entradas das equipas ao som do hino da equipa da casa ou os abraços a desconhecidos no momento do golo ainda não voltam em junho. O futebol joga-se agora, porque hoje já não são os sócios que pagam os salários, mas sim as operadoras televisivas. São elas que pagam os salários cada vez mais milionários dos jogadores e que permitem as contratações de muitos milhões de euros dos grandes do nosso futebol. Por agora, temos de nos contentar em ver o desporto-rei na nossa casa, sem aquela emoção diferente de ver um jogo no estádio do nosso clube. Por isso, tentemos disfrutar do regresso do nosso campeonato de uma forma diferente e esperar que o vírus deixe que as subidas e descidas de divisão, as vagas europeias e o campeão sejam decididas da forma que todos queremos, no campo.

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