O ouro da inércia

A nossa preocupação com os incêndios é um papel químico da preocupação com os jogos olímpicos. O que é preciso fazer antes para se obter resultados, não interessa. Perante a catástrofe, queixamo-nos. Pedimos mais uma Super e regressamos à sueca. Não pecamos por tardio. Pecamos, tão somente.

Exigimos aos atletas aquilo que não nos exigimos no nosso trabalho e queremos que sejam aquilo que também não somos. Criticamos o parco salário que recebemos, mas exigimos o ouro de quem, tantas vezes, ainda menos recebe. E desta forma hipócrita, exigimos aquilo que criticamos, numa de mantermos uma conversa de café.

Quer queiramos, quer não, a nossa história faz-nos, honrosamente, partir à frente, assim como o facto de conseguirmos, em todos os jogos, fazer sempre mais com menos. Ser o melhor perante os melhores é tarefa árdua. Com um país às costas, ainda mais difícil se torna. E isto já merece o pódio.

Caramba, nós podemos querer muito os três primeiros lugares, mas esquecemo-nos que eles os querem mais do que nós. São vidas de trabalho, esforço e dedicação depositadas numa medalha.

Não devemos nunca contentar-nos, apenas perceber o que, durante 4 anos, podemos melhorar. Se não pensarmos nisto antes, temos que, uma vez mais, lidar com o possível. E o possível custa tanto ou mais, pelo que o mérito deve ser sempre proporcional.

É certo que as medalhas de ouro são sempre fáceis de alcançar, aos olhos de um qualquer primeiro classificado do torneio de petanca dos amigos do Bombarral. Esses merecem o pódio deles, claro. Não adquirem é o direito de criticar o pódio dos outros.

O problema aqui é, e sempre foi, cultural. De forma inerte, damos demasiadas vezes a nossa opinião errada, com demasiada certeza. Acreditem que sei do que falo, escrevo-vos do sofá.

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