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Vítor Pinto
Vítor Pinto Chefe de redação

A brisa de mudança do Rio Ave

A qualidade exibicional do Rio Ave tem sido tão elogiada que já nem vale a pena procurar atribuir-lhe adjetivos que ainda não estejam gastos. Todavia, o que muitas vezes passa despercebido a quem se deslumbra com as suas exibições dominadoras perante os grandes, é que os vilacondenses não se tornaram crónicos candidatos aos lugares europeus por geração espontânea. E que, mais extraordinário ainda, a excelência exibicional está a ser alcançada em 2017/18 depois de uma temporada que foi fechada com lucros na ordem dos 10 milhões de euros, fruto da competência na gestão e da inteligência com o que o clube se tem posicionado no mercado.

A decisão de resistir a todo custo à pressão do Benfica para adquirir os 50% das mais-valias na venda de Ederson, que tinham sido salvaguardados aquando da mudança do guardião para a Luz, foi crucial para o tremendo encaixe proporcionado pela sua transferência posterior para o Man. City. As saídas de Roderick para o Wolverhampton e de Krovinovic para as águias ajudaram a compor um encaixe sem precedentes no historial do clube. Uma desenvoltura financeira de tal ordem que levou ao congelamento do processo de transformação em SAD sem que os investimentos em infraestruturas tenham parado. Uma realidade invejável ao nível da classe média do futebol português.

Face à notoriedade de outros dirigentes que diariamente se colocam em bicos de pés, ainda há quem não seja capaz de dar o devido valor à visão do presidente Silva Campos, que encabeça este ciclo de sucesso que só episodicamente tem sido louvado, mas também do diretor-geral Miguel Ribeiro, a peça-chave da estrutura que trabalha intensamente na sombra para garantir a tal matéria prima de exceção que tem sido potenciada por treinadores como Nuno Espírito Santo, Pedro Martins, Luís Castro ou, esta temporada, Miguel Cardoso.

A melhor notícia que emana do futebol de elevado quilate que o Rio Ave tem patenteado é que desapareceu do léxico de articulistas e comentadores uma desprezível expressão que chegou a ser moda em Portugal. Agora sim, a 1.ª Liga encontrou um novo ‘nivelamento por cima’ onde surgem equipas capazes de trabalhar tão bem ou, à sua escala, até melhor do que os grandes, oferecendo uma brisa refrescante de mudança ao futebol português. Outra nota de satisfação, os ‘velhos do Restelo’ deixaram de proclamar semanalmente que o nosso campeonato tem equipas a mais. É que exemplos como o do Rio Ave nunca são demasiados e devem servir para mostrar que, imagine-se, afinal há mesmo alternativa ao definhamento dos clubes pequenos que o encurtamento da montra do campeonato só serviria para agravar.

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