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André Gonçalves
André Gonçalves

Argentina por um fio

A Argentina está por um fio, com o apuramento para os oitavos-de-final do Mundial muito difícil de alcançar, tendo em conta que já não depende apenas de si. Uma realidade que foi desenhada pela alvi-celeste nas primeiras duas partidas desta fase de grupos: um empate com a estreante Islândia e uma derrota por 3-0 diante da Croácia.

Mas convém rebobinar a cassete para lembrar que os últimos anos não têm sido propriamente fáceis, nem estáveis, para os argentinos. Depois do Mundial de 2014, em que perdeu a final para a Alemanha, a Argentina viveu mais dois momentos negativos: duas finais da Copa América (2015 e 2016) perdidas para o Chile, ambas no desempate por penáltis. Em 2016, Messi até assumiu que iria abandonar a seleção - algo que gerou grandes ecos por todo o mundo - mas recuou na decisão pouco tempo depois.

A fase de qualificação para o Mundial da Rússia foi muito sofrida e até teve direito a três treinadores! A Argentina foi orientada primeiro por Gerardo Martino, depois por Edgardo Bauza e, a partir de maio de 2017, por Jorge Sampaoli. Só na última jornada a equipa das pampas conseguiu um bilhete para Moscovo, com um triunfo sobre o Equador, por 3-1, num jogo em que Messi levou um país inteiro às costas: marcou três golos. Génio, pois claro!

A goleada sofrida frente à Espanha, por 6-1, num jogo particular realizado em março e sem a presença de Messi, foi sinal de alarme para o que poderia acontecer na Rússia. Frente à Islândia e Croácia vimos pouco Messi e, globalmente, pouca Argentina, muito aquém do que se exige a uma seleção naturalmente colocada entre as candidatas à vitória final de qualquer grande competição.

Sampaoli já assumiu que não encontrou "a melhor equipa para acompanhar Messi". É capaz de ter razão. Há jogadores de grande qualidade naquela turma para além do seu capitão, mas não se vê um grande coletivo nem uma ideia de jogo que seja nítida e eficaz.

A seleção sul-americana terá agora de se agarrar às reduzidas probabilidades de apuramento para a fase seguinte. A Argentina não é eliminada na fase de grupos desde o Mundial de 2002, quando ainda não havia Lionel Messi.


P.S.: O Peru assinou duas exibições muito boas, frente a Dinamarca e França, não marcou nenhum golo, perdeu os dois jogos e já está eliminado. É pena. Foi entusiasmante ver futebol de qualidade e uma festa incrível dos adeptos peruanos.
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