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André Gonçalves
André Gonçalves

João Sousa na montanha russa

O ténis é feito de altos e baixos, numa carreira, numa época, num torneio ou até num único encontro. E a partir daí torna-se fácil formular opiniões, por vezes precipitadas, sobre o jogador A ou B. O caso de João Sousa, em 2018, é exemplo disso.

O tenista natural de Guimarães, de 29 anos, tem vivido uma temporada marcada precisamente por altos e baixos. Uma espécie de montanha russa.

Na primeira fase da época, em hard-courts, Sousa somou duas boas vitórias sobre dois tenistas do Top 10, nomeadamente Alexander Zverev (Indian Wells) e David Goffin (Miami). Na terra batida surgiu a histórica vitória na final do Estoril Open, frente ao norte-americano Frances Tiafoe. João Sousa conquistou aquele torneio que lhe escapara nos últimos anos, o mais especial.

Foi elevado a herói, mereceu elogios dos vários quadrantes da sociedade, mas rapidamente isso esfumou-se. Seguiu-se um período duro, de apenas 3 vitórias e 11 derrotas, 7 delas consecutivas… Com isto voltou a ser olhado com grande desconfiança por muita gente.

João Sousa iniciou o US Open precisamente após esses 7 desaires seguidos. Alguém imagina como é preparar um Grand Slam depois de um momento tão negativo? O vimaranense chegou aos oitavos de final em Flushing Meadows. Nunca um português tinha chegado tão longe num major no quadro de singulares masculinos. Caiu apenas aos pés do campeoníssimo Novak Djokovic, mas deu luta. Voltou a ser justo elogiar João Sousa graças a esta prestação em Nova Iorque.

Não tenho dúvidas que os jogadores devem ser elogiados quando o merecem e criticados quando se justifica. O que vejo é que falta equilíbrio neste capítulo: parece bem mais fácil apontar o dedo do que fazer o devido reconhecimento.

Às vezes nem parece que estamos a falar do melhor tenista português de sempre, que já foi top 30 do ranking ATP, que já chegou aos oitavos de final de um Grand Slam e que já tem três títulos ATP (Kuala Lumpur, Valência e Estoril). Seremos bons a estimar as figuras do nosso desporto? Fica a questão.
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